Testemunhos sobre a vida da nação: um madeireiro, uma padeira e um cientista

O Parlamento discute o Estado da Nação e o DN regista o que pensam 24 portugueses de diferentes áreas profissionais. O que é que mudou na sua profissão após três anos de Governo PS com o apoio da esquerda parlamentar?

Céu Neves
Maria João está há cinco anos no setor | foto Filipe Amorim / Global Imagens
Tem hábricas em Chaves, Vila Nova de Famalicão e Cidade Castelo Rodrigo (Espanha) | foto Direitos reservados
Professor da Faculdade de Ciências e Tecnologias ,da Universidade Nova de Lisboa | foto Nuno Brites

Maria João Félix - Padeira

Em relação à minha situação, as coisas estão mais ou menos na mesma, nunca estiveram muito boas. Mas o que tenho sentido nos últimos anos são as leis do trabalho que estão bem piores, os patrões fazem o que querem. Trabalho 46 horas por semana, pagam-nos mais uma hora por dia, senão só ganhava o salário mínimo. A nível da freguesia, vendemos menos que há três anos, mas isso tem a ver com o estacionamento, com os parquímetros. As pessoas que trabalham na zona paravam aqui para compra pão e agora não têm onde estacionar, já não compram. Os parquímetros tiraram muita freguesia.

Octávio Mateus - Paleontólogo

Assistimos a um crescimento da paleontologia: aumento de projetos, de investigadores, de estudantes, etc. O Dino Parque, na Lourinhã, é um bom exemplo, como também é um bom exemplo a abertura do primeiro mestrado em paleontologia (Universidade Nova de Lisboa). Felizmente a área tem tido um aumento significativo quer em quantidade quer no impacto que tem na sociedade. A nível da ciência em geral, é salutar que se tenha ido de encontro à política do Mariano Gago, que foi recuperada. Essa é uma diferença do atual governo e dos governos mais de esquerda: há um maior empenho e financiamento na ciência e mais facilidade para os cientistas obterem financiamento.

Avelino Reis - Empresário da indústria da indústria da madeira

O que mudou foram os fogos, que vieram dar cabo da nossa continuidade, daqui a dois anos poderá estar em causa a nossa sustentabilidade, já que vamos necessitar de matéria-prima e não a temos. Os fogos afetaram todo a indústria ligada à madeira, desde as empresas que cortam na floresta até quem os que fabricam os produtos. Neste momento, temos excesso de matéria-prima mas que não está a ser aproveitada. O Estado tem madeira que não está a vender - estou a referir-me ao Pinhal de Leiria, os pinheiros podiam ser vendidos para as serrações (para fazer paletes, mobiliário, etc.).e está a demorar muito tempo. Depois do verão, estará já azulada, estragada, e só dá para as fábricas de pellets, aglomerado ou papel.