Leonor Beleza defende que europeias são tão importantes como legislativas

A presidente da Fundação Champalimaud lembrou que na União Europeia há países a contrariarem os valores europeus. E apelou à mobilização dos jovens, na Universidade de Verão do PSD, para que a sociedade civil se fortaleça.

Paula Sá
© Sara Matos / Global Imagens

A antiga ministra da Saúde, que tem sido uma das figuras mais presentes nas universidades de verão do partido, justificou a importância que atribui às primeiras eleições do próximo ano com a complexidade vivida na Europa. "Os riscos na Europa e nas eleições europeias são dos mais importantes". Riscos que passam pelo facto da União Europeia (UE) ser "questionada por um dos seus membros que vai embora", a Grã Bretanha, como por internamente ter "países a fazer um percurso que não se conjuga com os valores" fundadores da UE.

"Sei que as eleições do ano que vem na Europa são pelo menos tão importantes como as eleições legislativas nacionais", garantiu aos cem jovens que a ouviram no jantar-conferência. Leonor Beleza insurgiu-se contra os países que não demonstram capacidade e vontade de acolher quem vem de fora do espaço europeu. "As pessoas valem exatamente o mesmo"., defendeu, numa alusão aos migrantes que têm sido rejeitados em Estados como a Hungria.

Apesar dessa noção de "igualdade" entre seres humanos, garantiu que não podemos ser tolerantes quando estão em causa direitos básicos. Leonor Beleza exemplificou com o recente caso do Tribunal de Portalegre que reconheceu o direito a uma família cigana a retirar a filha de 15 anos da escola. "O que me interessa é despertar as pessoas para receber os que são diferentes de nós, mas isso não significa ceder nos direitos humanos", disse. E insistiu na ideia de que "os direitos das mulheres ainda não estão garantidos".

Apesar da complexidade internacional e nacional, Leonor Beleza passar àqueles jovens a ideia do privilégio que é viver no mundo atual. "As desigualdades são muito inferiores ao que foram no passado, o mundo já foi muito mais pobre, já houve mais mortalidade infantil. Devemos reconhecer que isso foi adquirido, mas têm de ser alimentado".

"O que me interessa é despertar as pessoas para receber os que são diferentes de nós, mas isso não significa ceder nos direitos humanos"

Fez da sua experiência pessoal exemplo disso mesmo. Recordou que antes do 25 de Abril - que a apanhou já com 25 anos - se vivia em Portugal uma sociedade fechada, sem acesso a filmes, livros, notícias de jornais, sem discussão pública, sem direito à formação de partidos e a braços com uma guerra colonial. "Com o 25 de Abril vivemos um modelo exaltante de mudança", que voltou a repetir-se num dos momentos "mais emocionantes" da sua vida, quando assistiu, em 1985, no Mosteiro dos Jerónimos, à assinatura do Tratado de Adesão de Portugal à então Comunidade Europeia.

A presidente da Fundação Champalimaud pediu ainda "encarecidamente" aos jovens que percebam que o mundo e o nosso país estão muito melhores do que foram há uns anos. Mas avisou "há ainda muito por fazer". Como por exemplo na Educação, onde não se pode só "discutir as carreiras dos professores", mas onde se devia debater mais o combate ao abandono escolar, entre outras coisas.

E rematou com um apelo. "Não haja complacência, que não se confundam valores e interesses da maior parte das pessoas com interesses setorais. Precisamos de mais vozes a falar, de mais organizações na sociedade civil".