Há menos penhoras. Mas na educação, táxis e agricultura pede-se mais

O Estado da Nação vai estar em debate esta sexta-feira na Assembleia da República. O Diário de Notícias pediu 24 testemunhos para avaliar como está o País

Carlos Ferro
O primeiro-ministro António Costa abre esta sexta-feira o debate sobre o Estado da Nação© Orlando Almeida / Global Imagens

O primeiro-ministro vai abrir o debate com um discurso a partir das 09.30. Depois cada partido terá direito a uma intervenção além de pedidos de esclarecimentos feitos diretamente a António Costa.

A algumas horas do início da sessão no Parlamento o DN começa a divulgar o que pensam 24 portugueses sobre como está o País após três anos de Governo PS com o apoio da esquerda parlamentar. Serão 24 opiniões sobre vários temas com que os cidadãos se debatem diariamente.

Susana Duque Gil - Taxista

Durante estes três anos mudou tudo para pior. Neste momento não tenho direito a férias, faturo muito menos que há três anos quando não se ouvia falar da Uber, mas desde que começaram a falar das plataformas eletrónicas de transporte as pessoas foram experimentar e agora chegamos a estar duas horas na praça parados. Anteriormente isso não acontecia. No fim de semana passado trabalhei mais de 24 horas durante os dois dias para fazer 300 euros, há três anos faturava mais. Na minha opinião está relacionado com o governo que não resolve nada, vai adiando. Enquanto nós não tomarmos uma atitude isto vai andando assim. Os motoristas têm de se unir.

Cristina Ferreira - Agente de Execução

Nestes últimos três anos, a ação executiva tem vindo a espelhar o clima de retoma do crescimento económico que se tem registado no país. Assim, temos assistido a uma estabilização do número de processos executivos entrados, a uma maior celeridade na resolução dos mesmos, a uma quebra na pendência e, também, ao aumento da literacia financeira, algo que tem permitido aos cidadãos gerir melhor e compreender estas questões. Além disso, não posso deixar de destacar o impacto positivo das ferramentas tecnológicas que têm sido implementadas no âmbito da ação executiva, nomeadamente da plataforma e-leilões, a qual tem garantido a valorização e a mais rápida venda de bens penhorados, beneficiando, assim, todos os intervenientes no processo.

Maria João - Educadora de Infância

Em relação à educação sinto que continua a ser pouco valorizada principalmente no que diz respeito ao pré-escolar. Embora tenham alargado a oferta na rede pública para abranger um maior número de crianças, cobrindo diferentes faixas etárias, a quantidade não tem sido sinónimo de qualidade e as crianças dos 0 aos 3 anos continuam sem resposta por parte do Ministério da Educação. Muitos de nós ainda trabalhamos em situações precárias com o nosso próprio material e investimento pessoal. As últimas grandes lutas que se têm vindo a travar com o Ministério da Educação são uma prova deste descontentamento geral. O facto de o governo prometer legislar e depois não cumprir, no que se refere à contabilização de todo o nosso tempo de serviço, é sem dúvida uma demonstração de desrespeito para com a nossa classe passando pela instabilidade e pela depreciação profissional que não valoriza a carreira docente. Salienta-se, no entanto, a vontade de introduzir programas de autonomia e flexibilidade curricular nas escolas.

Sónia Martins - Empresária agrícola

A minha vida profissional mudou mas não pelo aparecimento da Geringonça - eu e o meu marido trabalhávamos em Lisboa, ficámos desempregados e decidimos arriscar em comprar uma propriedade. Apanhámos o processo de transição do ProDer para o PDR 2020 e logo aí fiquei desiludida com o poder politico pois tinha estada na Feira da Agricultura e o governo de então dizia que o ProDer não ia fechar. Mas, fechou e demorou um ano a reabrir. Depois tivemos alguns contratempos e, neste momento, estou a tratar de um pedido de alteração de cultura - de framboesa para mirtilo. Só que a máquina burocrática é muito lenta independentemente do governo. Estamos há 5 meses à espera para decidirem se aceitam o pedido de alteração de cultura. Os organismos públicos são lentos - pelo menos nesta questão da agricultura. Há muita burocracia, muita papelada. Tudo muito lento. E a informática devia ajudar-nos, mas não é isso que se passa: se tenho uma dúvida pergunto por mail e nunca me respondem.