Governo vai dar explicações aos deputados sobre problemas da ferrovia

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, responderá no dia 6 de setembro às perguntas dos deputados sobre a degradação da ferrovia.

Paula Sá
Governo vai dar explicações sobre a ferrovia aos deputados© Sara Matos / Global Imagens

O CDS queria uma Comissão Permanente extraordinária e urgente para debater o tema. Mas na conferência de líderes desta segunda-feira, PS, PCP e BE chumbaram essa pretensão. Só o PSD se colocou ao lado dos centristas. Os partidos que apoiam o governo entenderam-se para que o ministro da tutela dê explicações sobre os problemas da ferrovia e os investimentos previstos nos próximos tempos na reunião que já estava prevista daquele órgão para dia 6 de setembro.

No final da conferência de líderes, também ela extraordinária, o deputado centrista Telmo Correia considerou um "erro" a rejeição do pedido para a realização de uma Comissão Permanente extraordinária. Isto porque o seu partido tem feito deste assunto um dos temas da rentrée política. A semana passada, a líder do CDS, Assunção Cristas, no final de uma viagem de comboio com outros deputados do partido, afirmou que os "os comboios neste momento não são de fiar", aproveitando para anunciar esta iniciativa face aos problemas que existem e à ausência de respostas por parte do Governo. Assunção acusou o governo de ter desinvestido fortemente neste meio de transporte, com graves prejuízos para as populações.

O PS e os partidos aliados do governo, PCP, BE e Verdes, saíram a terreiro para atacar os centristas. E a nota foi afinada: todos no sentido de atribuir esta batalha do CDS à intenção de concessionar ou privatizar a ferrovia. Foi o que fez o líder da bancada bloquista, Pedro Filipe Soares, e estabeleceu um paralelo com outro setor dos transportes: "O país já sabe o que custou a privatização dos aeroportos. O CDS não conta com o BE para a Assembleia da República ser um palco para a privatização ou concessão da CP".

Tal como Pedro Filipe Soares, Heloísa Apolónia, deputada dos Verdes, sublinhou que o investimento na ferrovia e no material circulante (composições) tem sido uma das batalhas do seu partido. "O CDS acordou agora para a questão e quer desvincular-se do desinvestimento na ferrovia", argumentou.

Mais violento no ataque ao CDS foi o deputado socialista Pedro Delgado Alves que acusou o CDS de ter "sufragado" a "redução de material circulante e o "despedimento de 3 mil trabalhadores" da ferrovia.

Só o líder parlamentar do PSD é que se colocou ao lado dos centristas. Fernando Negrão insistiu na falta de investimento da ferrovia, que coloca em causa a qualidade de vida das populações e acusou o governo de estar a contribuir para a "destruição de uma empresa fundamental com a CP".

A bancada parlamentar do PSD apresentou também um requerimento na Assembleia da República para ouvir os presidentes Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) e Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) sobre a "falência operacional" da CP.

"No sentido de melhor esclarecer e avaliar os factos que parecem apontar para a falência operacional da CP, os deputados do grupo parlamentar do PSD agradecem as diligências necessárias para ouvir nesta comissão, os presidentes das entidades reguladoras, AMT e IMT", lê-se no documento enviado à Comissão Parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas.

"Enquanto o Governo vai anunciando periodicamente desde fevereiro de 2016, o investimento de milhares de milhões de euros na ferrovia, e se vangloria mesmo do ineditismo em Portugal dessa futura construção de vários quilómetros de ferrovia nova em Portugal, esperando com isso merecer a simpatia dos portugueses, a verdade nua e crua é contudo difundida quase diariamente através da imprensa", criticam os deputados sociais-democratas.

O grupo parlamentar do PSD cita ainda a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) para sublinhar que, "em 2018, no final do primeiro semestre, a CP tinha utilizado apenas cerca de 10% da verba disponível para investimento e que, já em 2017, tinha aplicado apenas 27% da verba que lhe estava atribuída".