Exército "nunca deu garantias" da recuperação de todo o material

General Rovisco Duarte diz que Exército fez tudo para se descobrir a verdade sobre Tancos e já investiu 4,3 milhões na segurança das instalações militares.

Manuel Carlos Freire
Chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte© JOSÉ COELHO/LUSA

O chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) frisou esta terça-feira que "nunca disse que tinha sido recuperado o material integralmente" furtado dos paióis de Tancos.

"Nunca o Exército deu garantias de que o material encontrado correspondia ao furtado", insistiu o general Rovisco Duarte, na audição com a Comissão parlamentar de Defesa sobre o furto de Tancos em junho de 2017.

Segundo o CEME, fazer essa afirmação poderia representar "uma violação do segredo de justiça" e ser "suscetível de prejudicar a obtenção de provas.

Rovisco Duarte, observando que o material recuperado em outubro de 2017 está à guarda do Exército em Santa Margarida mas sob a responsabilidade das autoridades judiciárias, pelo que o ramo "não pode fazer a peritagem que é essencial para detetar eventuais discrepâncias" entre o material furtado e o que foi guardado.

Certo é que "termos acabado com Tancos dá garantias de que a situação não se repete", garantiu ainda o CEME, após informar que o ramo já investiu 4,3 milhões de euros na melhoria e reforço da segurança nas diferentes unidades, estabelecimentos e órgãos do Exército.

Rovisco Duarte observou ainda que poderão faltar mudanças legislativas para resolver a questão do uso de armas por parte dos militares, em ações de sentinela ou durante patrulhas mistas com as forças de segurança.

"O furto não doeu a mais ninguém" tanto como ao Exército, pelo que o ramo "é o mais interessado" na descoberta da verdade, prosseguiu o CEME.

O general disse ainda acreditar no inventário feito a nível central por parte do Exército, sendo que ao nível das unidades há sempre muito material a circular para ações de treino e instrução - deixando implícito que aí o rigor pode não ser o mesmo.