Costa diz que PS "não é um partido anormal" por querer maioria absoluta

Primeiro-ministro afirma apoio total ao ministro da Saúde em entrevista ao semanário Expresso.

Manuel Carlos Freire
António Costa visitou esta sexta-feira Monchique© André Vidigal/Global Imagens

A geringonça constitui uma solução política que funcionará tanto melhor "quanto mais forte for o PS", que "não é um partido anormal" ao lutar pela maioria absoluta nas próximas legislativas, afirma António Costa ao Expresso.

Em entrevista ao semanário, que esta sexta-feira divulgou excertos na sua edição digital, o primeiro-ministro e líder socialista argumentou que "um PS mais enfraquecido certamente suscitará mais dúvidas sobre a estabilidade política e a continuidade desta política para os portugueses".

"Um PS que não tenha condições" para liderar de forma clara uma solução política como a atual "torna a situação inviável", referiu António Costa.

Assumindo que "a maioria absoluta dá jeito", Costa perguntou se "há algum partido que concorra sem querer o maior número de votos" e concluiu que o PS "não é um partido anormal" em lutar por esse objetivo.

O chefe do Governo afastou ainda a possibilidade de Adalberto Campos Fernandes deixar de ser ministro da Saúde, uma vez que isso não resolveria os problemas do setor.

"Recordo que foi preciso o ministro Correia de Campos demitir-se [em 2008] para acabar aquela curiosa epidemia de partos nas autoestradas, que nunca mais ocorreram desde que [ele] deixou de ser ministro", observou António Costa.

Por isso, sublinhou o primeiro-ministro, "se alguém espera que Adalberto Campos Fernandes deixe de ser ministro, para que esses problemas se resolvam por arte mágica, pode tirar o cavalinho da chuva que ele não deixará de ser ministro".

António Costa comentou ainda o caso Robles, dizendo ter ficado surpreendido por "não imagin[ar] que quem prega com tanta virulência a moral política cometesse pecadilhos" de tentar vender por 5,7 milhões de euros um imóvel adquirido por 347 mil euros.