Costa desautoriza Santos Silva sobre "geringonça". "O que corre bem não deve ser perturbado"

Ministro dos Negócios Estrangeiros disse que a renovação da atual solução política terá de ter um nível de compromisso maior, mas o chefe do Governo tem outra visão. "Este é o grau de compromisso possível com a convergência que alcançámos", disse António Costa

Susete Henriques
© REUTERS/Yves Herman

O primeiro-ministro António Costa desautorizou esta quarta-feira Augusto Santos Silva, o número 2 do seu Governo, sobre o futuro da atual solução política governativa, a denominada de "geringonça".

Isto porque o ministro dos Negócios Estrangeiros, em entrevista ao Público e à Renascença , defendeu que a "renovação da atual solução política" vai exigir "um nível de comprometimento superior àquele que se verifica neste mandato", o que incluiria a política externa e europeia - matérias que dividem o PS do BE, PCP e PEV."

Costa veio de seguida contrariar esta ideia. "Este é o grau de compromisso possível com a convergência que alcançámos. Ora, o que corre bem não deve ser perturbado nem interrompido", afirmou o primeiro-ministro ao jornal Público , que contraria a posição do ministro dos Negócios Estrangeiros.

"Nem um optimista irritante como eu acredita que seja possível superar divergências que são identitárias. Mas também não considero que seja necessário. Como provámos nesta legislatura, podemos entender-nos sobre o que queremos fazer em conjunto, respeitando a identidade de cada um", defendeu o primeiro-ministro ao diário.

Manuel Alegre também se manifestou esta quinta-feira contra as declarações de Santos Silva na qual o ministro defende que um novo acordo da atual solução governativa tem de incluir a política externa e a europeia. "O segredo desta solução governativa e a habilidade de António Costa foi terem ficado de fora, precisamente, estes temas inconciliáveis. Ao colocá-las agora em cima da mesa, Santos Silva está a inviabilizar a continuação da geringonça e a passar-lhe uma certidão de óbito", afirmou ao Expresso .

O histórico do PS considera que este tema "gera uma polémica grave" e faz duras criticas ao responsável pela pasta dos Negócios Estrangeiros. "Santos Silva colocou o primeiro-ministro numa situação ingrata. Isto tem de ser esclarecido", afirmou Manuel Alegre, defensor da atual solução governativa. Com RSF e JPH