BE acelera debate sobre desigualdade salarial

Bloquistas vão pedir o agendamento do projeto de lei do partido para diminuir a desigualdade salarial.

Miguel Marujo
Catarina Martins e Pedro Filipe Soares© Filipe Amorim/Global Imagens

É já esta quarta-feira, na primeira reunião da conferência de líderes parlamentares depois das férias, que o presidente do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, vai pedir o agendamento do projeto de lei do partido para diminuir a desigualdade salarial.

Este projeto que "determina a transparência de vencimentos e propõe o estabelecimento de leques salariais de referência como mecanismo de combate à desigualdade salarial" foi apresentado em agosto e o BE quer colocar o tema com urgência na agenda parlamentar, depois de também o primeiro-ministro, António Costa, ter pressionado, no mês passado, o setor privado para aumentar salários.

Os bloquistas recordam, na exposição de motivos da sua proposta, que "Portugal é o quarto país da União Europeia com a maior desigualdade salarial (a seguir à Polónia, Roménia e Chipre) quando comparamos o decil dos salários mais altos e o decil dos salários mais baixos. A este facto está associada, além do mais, uma tendência preocupante: esta desigualdade não tem parado de crescer. Neste contexto, o próprio salário mínimo, que se vem transformando, crescentemente, numa espécie de 'salário nacional'."

Segundo o BE, este cenário agrava-se nas empresas cotadas na bolsa: "Nas principais empresas da bolsa portuguesa, nos últimos três anos, o custo do trabalho esteve estagnado, mas o vencimento dos gestores aumentou 40%. De ano para ano, aliás, esta disparidade tem aumentado sempre. Em média, os gestores das empresas portuguesas do PSI-20 ganham 1 milhão de euros por ano, mais de 70 mil euros por mês."

Na primeira conferência de líderes depois das férias, os vários partidos devem também antecipar a ordem de trabalhos da comissão permanente da Assembleia da República, que terá lugar na quinta-feira, num debate que deve ser centrado no atual estado da ferrovia, que o CDS quer ver discutida por este órgão que reúne durante as férias parlamentares. O primeiro plenário depois das férias acontecerá em 19 de setembro.