Autarca de Sta. Maria da Feira defende liderança de Rui Rio e pede debate ideológico

Emídio Sousa, presidente da concelhia do PSD de Santa Maria da Feira considera que esta não é a altura para pôr em causa o líder do partido laranja: "A saída de militantes não garante um futuro auspicioso ao PPD-PSD nem ao novo partido!"

Isaura Almeida
© Global Imagens/Tony Dias

Emídio Sousa, presidente da concelhia do PSD de Santa Maria da Feira, considera que "esta não é altura para pôr em causa a liderança de Rui Rio ao fim de seis meses, a menos que o desempenho e os indicadores sejam de facto muito maus e alarmantes". No entender no autarca, "não me parece ser esse o caso, por muito que possa discordar de Rui Rio".

Uma afirmação que parece responder ao antigo presidente da JSD, Pedro Duarte, que, nesta semana, em entrevista ao Expresso, desafiou a liderança de Rui Rio no PSD, defendendo uma nova estratégia para o partido. Para o antigo líder da JSD, "o PSD, tão cedo quanto possível, deve mudar de estratégia e de liderança". Pois, na opinião de Pedro Duarte, o "PSD desistiu de apresentar uma alternativa ao PS e está empenhado em substituir o BE e o PCP no apoio ao governo socialista".

Na opinião de Emídio Sousa, a contestação ao líder laranja tem um objetivo: "Esta agitação tende, todavia, a lançar para segundo plano o debate ideológico quanto ao posicionamento do PSD, que, em minha opinião, importaria fazer de imediato. Há claramente dentro do PSD duas correntes ideológicas marcantes: uma mais à esquerda, próxima do socialismo democrático, e outra mais conservadora/liberal, dentro dos princípios programáticos dos partidos que constituem o Partido Popular Europeu, na qual o PSD se posiciona na Europa. Penso que é muito importante fazer este debate. Os cerca de 50 anos de história do partido - considerando a sua génese na ala liberal ainda antes do 25 de Abril - permitem-nos fazer essa análise."

"O votante do PSD será verdadeiramente de esquerda? Este eleitor quer mais ou menos Estado na sociedade? Mais liberdade individual ou mais coletivismo? Acredita no trabalho e no mérito ou prefere o Estado a gerir e a regular a sua vida? Prefere a igualdade de oportunidades à partida ou a igualdade para todos à chegada? Um Estado fiscalista ávido de dinheiro, para depois o distribuir segundo as conveniências conjunturais, alimentar a si próprio e às suas ruidosas corporações? Um Estado prestador ou um Estado provedor de serviços? Um Estado atulhado de funcionários com salários baixos ou com menos funcionários e mais bem remunerados? Fará sentido esta divisão estanque entre direita e esquerda? Parece-me importante este debate imediato", escreve em comunicado.

A saída de Santana Lopes do PSD para formar um novo partido também mereceu um comentário por parte de Emídio Sousa. "Fui apoiante e mandatário distrital de Santana Lopes e, do ponto de vista do posicionamento e pensamento ideológico, comungo de muitas das suas posições. Entendo, no entanto, que a disputa deve ser feita dentro do PPD-PSD e não num novo partido. A saída de militantes não garante um futuro auspicioso ao PPD-PSD nem ao novo partido. Revejo-me naquilo que Pedro Santana Lopes repetidamente chamava de PPD-PSD. Defendo até que o partido deve voltar à designação inicial de PPD", declarou o presidente da concelhia do PSD de Santa Maria da Feira, rematando: "Dividir o PPD-PSD é dar ao PS a maioria que anda a tentar garantir há muito tempo."