Álvaro Amaro contra Rui Moreira. "Miserável é a ignorância"

O autarca do PSD que negociou a descentralização com o governo ataca o presidente da Câmara do Porto, que considerou "miserável" o acordo de transferência de competências para os municípios.

"Miserável é por ignorância dizer-se o que se disse", disparou o presidente da Câmara da Guarda. Álvaro Amaro respondia assim às críticas de Rui Moreira ao conteúdo do acordo de descentralização entre o PSD e o governo, em declarações ao Expresso. Insinuando que o autarca do Porto só falou porque é "vaidoso" e queria ter um maior protagonismo nas decisões da Área Metropolitana do Porto, Amaro garantiu que o acordo "salvaguarda o interesse de todos os municípios", porque, disse, "quem quer quer quem não quer só tem de aceitar até 2021".

Álvaro Amaro, que está a participar na festa do Pontal, classificou de "protagonismo balofo" as palavras de Rui Moreira, que só se explica "à luz de algumas disputas internas" na Área Metropolitana do Porto. E lembrou que do acordo saiu a decisão de, através de uma comissão independente, discutir o processo de descentralização daqui a um ano. Álvaro Amaro insistiu na ideia de que em 2019, as competências só serão transferidas se o quadro de financiamento e competências estiver criado pelo governo, que tarda em o fazer. E reiterou: "Miserável é a ignorância", quando se "sobrepõe a vaidade à responsabilidade".

Na edição deste sábado do semanário Expresso, Rui Moreira classificou a lei de descentralização de "atabalhoada", depois de "um acordo miserável entre PS e o PSD".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.