"Aliança" quer demissão do ministro da Defesa

"Aliança" considera que Azeredo Lopes está numa posição de "excessiva fragilidade" e pede que deixe o Governo

"É óbvio que a salvaguarda mais elementar do respeito devido às Forças Armadas e a outras entidades relevantes do Estado, não permite outra conclusão que não seja a de que o Ministro [da Defesa] não tem condições para continuar no cargo."

Em comunicado, esta tarde, o "Aliança", partido criado há semanas por Pedro Santana Lopes, pediu a demissão de Azeredo Lopes. Porque há uma "realidade incontestável" que é "o reconhecimento da excessiva fragilidade política que a sucessão inconcebível de eventos no processo de Tancos provocou no titular da pasta da Defesa Nacional".

E o desafio é deixado tanto ao primeiro-ministro como ao Presidente da República. "Por muito que seja prática regular - numa mistura consuetudinária de regra e moda - os primeiros-ministros reafirmarem a confiança nos seus Ministros até à exaustão, este caso não o permite. O Chefe do Governo e o Presidente da República, Comandante Supremo das Forças Armadas, devem assumir a decisão que se impõe para defesa da imagem interna e externa das Instituições do Estado e para bem de Portugal."

O partido recusa, no entanto, expressar qualquer opinião sobre o eventual conhecimento que o ministro teve ou não da alegada ação de encobrimento que rodeou a descoberta, em 18 de outubro de 2017, do armamento roubado em Tancos em 28 de junho de 2017.

"Por não haver certeza sobre a verdade, não expressamos qualquer opinião acerca do eventual conhecimento, por parte do ministro da Defesa, de factos relacionados com o chamado "encobrimento" do ocorrido em Tancos", lê-se no comunicado.

O qual ainda explica que o partido, "ao pronunciar-se sobre situações da vida nacional, presentes no domínio público, não se mobiliza por considerações de ordem pessoal, nem formula processos de intenção", apenas constata "o seu significado e/ou nas suas consequências para Portugal e para os portugueses". "Os factos ocorridos, cuja gravidade não pode ser silenciada e que respeitam ou envolvem instituições da Justiça, da Administração Interna e da Defesa Nacional, suscitam fundadas preocupações."

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