Aliança quer candidatos europeus sem esqueletos no armário, "à luz do direito ou da moral"

Membros da lista da Aliança ao Parlamento Europeu devem assinar declaração a atestar não haver factos impeditivos das candidaturas.

O partido Aliança vai exigir aos seus candidatos ao Parlamento Europeu "uma declaração formal e pela honra", garantindo que "não há nas suas vidas factos que tornem inviável a candidatura à luz do direito ou da moral", anunciou este sábado o seu cabeça de lista.

Paulo Sande, que discursava no congresso fundador do partido fundado por Pedro Santana Lopes, adiantou que essa declaração deve garantir que "não estão acusados de crimes impeditivos do livre exercício" da atividade política e, ainda, que" a formação e experiência que declaram corresponde à verdade" - no que foi interrompido por um coro de palmas e elogios dos participantes.

O principal candidato da Aliança - um especialista em assuntos europeus que trabalhou mais de duas décadas na UE - elencou "três dimensões significativas" da proposta do partido para mudar a Europa, além de "cinco causas concretas" - crescimento, combate à corrupção, mundo digital, ambiente, luta pela democracia e modo de vida - que ajudem a mudar o status quo comunitário.

"Não são ideias simplistas, apenas simples e sensatas. Não são utopias, pois são realizáveis. Não são inócuas, porque visam a mudança", frisou Paulo Sande - momentos depois de o embaixador Martins da Cruz também ter abordado algumas questões ligadas à Europa.

"Somos europeístas e por isso queremos mudar a Europa. Somos portugueses e por isso queremos mudar a atitude de Portugal na Europa. Somos realistas e não pedimos o impossível, apenas o indispensável", prosseguiu o candidato que se apresentou como "um novo político" que nunca fez política partidária.

Ao nível da primeira "dimensão significativa" da proposta da Aliança, ao nível da mudanças das regras institucionais e políticas da UE, Paulo Sande propôs um "sistema de mandato negociado" sobre matérias de grande relevância para Portugal, em que o Governo deve obter uma posição prévia do Parlamento "que estabeleça as linhas vermelhas e objetivos concretos" a apresentar em Bruxelas.

Criar o chamado "cartão vermelho", em que um determinado número de Parlamentos nacionais possam encerrar um processo legislativo da Comissão Europeia se violar o chamado princípio da subsidiaridade - quando as decisões possam ser tomadas "de forma tão ou mais eficaz" a nível nacional do que em Bruxelas - e fiscalizar a transposição das diretivas europeias para o direito interno, de forma a evitar que os governos assumam obrigações "que vão além das exigências europeias", são outras medidas.

Ter uma campanha de causas, como a aposta no crescimento e criação de riqueza, solidariedade e coesão europeias, luta contra a pobreza e rejeição de impostos europeus, é outro dos objetivos do partido Aliança, que no plano digital propõe "a criação em Portugal de um programa de formação em elementos de inteligência artificial".

A "luta contra os nacionalismos extremistas, o protecionismo e o unilateralismo", o combate à desigualdade e pobreza, a defesa do respeito pelas instituições e as forças da ordem, foram outros aspetos destacados por Paulo Sande em matéria de propostas europeias da Aliança.

"Estamos nas eleições europeias para eleger o máximo possível de deputados" com o objetivo de "servir os portugueses na Europa", concluiu Paulo Sande.

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