Advogado de Manuel Pinho contestou magistrados no processo

Audição de Manuel Pinho no DCIAP foi cancelada. O ex-ministro da Economia está neste momento a ser ouvido na Comissão de Economia da Assembleia da República

Esta manhã, o ex-ministro da Economia apresentou-se no incidente no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) para ser ouvido mas a audição acabou por ser adiada. O seu advogado, Ricardo Sá Fernandes, não quis revelar os motivos do adiamento, dizendo apenas que se tratou de "questões processuais".

A explicação oficial chegou entretanto através de um comunicado da Procuradoria-Geral da República: "Antes de iniciada a diligência foi suscitado, pelo seu advogado, o incidente de recusa dos magistrados designados para dirigir o inquérito", explica a PGR. "Perante o requerimento apresentado, o magistrado do Ministério Público deu sem efeito a diligência designada, a fim de o incidente de recusa ser apreciado pelo imediato superior hierárquico (Diretor do DCIAP).

O advogado explicou aos jornalistas ter discordado da marcação para hoje da diligência que levou Manuel Pinho ao DCIAP, porque foi marcada para o mesmo dia em que o ex governante vai ao parlamento, cerca das 15:00, para prestar esclarecimentos aos deputados acerca de decisões políticas que tomou na área da energia.

"Pedimos o reagendamento desta diligência [do Ministério Público] para outro dia, uma vez que nos parecia inconveniente", disse, defendendo que no combate processual as instituições "têm de ser respeitadas, mesmo que se discorde" da decisão dessas instituições, e que essa foi a razão porque se deslocou hoje com Manuel Pinho ao DCIAP.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.