Inquérito a Tancos. PSD e BE viabilizam comissão de inquérito

Bloquistas deixam muitas críticas à proposta do CDS, sociais-democratas querem discutir natureza organizacional das forças de segurança

Com a votação da comissão parlamentar de inquérito ao furto de Tancos, proposta pelo CDS, agendada para o dia 24, como revelou o seu presidente da bancada centrista, Nuno Magalhães, o PSD já veio dizer que dará o seu voto favorável à iniciativa, enquanto que o BE anunciou que vai abster-se, sem se opor, mas deixando fortes críticas ao timing da comissão.

Para o líder parlamentar social-democrata, Fernando Negrão, "está em causa o regular funcionamento das instituições". Neste caso, argumentou, "houve problemas e parte desses problemas são de natureza criminal e estão a ser tratados no local adequado", ou seja, "neste momento, pela PJ e pelo Ministério Público".

Há também outras questões de "natureza organizacional" e de "capacidade de intervenção" das forças de segurança e ao Ministério da Defesa, e "é aí que se concentrará de certeza o trabalho desta comissão". No entendimento de Negrão, "houve problemas de articulação entre órgãos do Estado, que não foram devidamente salvaguardados e que deram os resultados que temos estado a assistir, com alguma preocupação e alguma vergonha".

Fernando Negrão invocou a sua experiência anterior de presidência de duas outras comissões de inquérito, em que também havia "processos criminais a decorrer em simultâneo". "Há aqui problema que envolve outras pessoas para além daquelas que já estão no processo criminal e, portanto, as audições centrar-se-ão nessas pessoas e nos responsáveis máximos dessas pessoas".

Já Pedro Filipe Soares disse que o Bloco de Esquerda não votarão contra a proposta do CDS, mas anunciou a abstenção da sua bancada. Para o líder parlamentar bloquista, o processo "começou torto", por culpa do CDS, mas o seu partido tentará "colocá-lo no patamar de responsabilidade" que o caso merece, "e não brincar às comissões de inquérito".

Pedro Filipe Soares acusa o objeto da comissão de inquérito proposto de ser genérico. "O CDS não estava devidamente preparado" e limitou-se, acusou, de ir a correr "atrás dos holofotes".

Antes, o líder parlamentar centrista, Nuno Magalhães, tinha insistido que a comissão visa apurar "responsabilidades políticas", como o DN antecipou. E abriu a porta a discutir "tudo", nomeadamente a organização das forças de segurança. "É dever do Parlamento apurar as responsabilidades políticas." Sem tirar conclusões para já, exceto a de que "houve e há falta de articulação e coordenação entre as várias forças".

O PS reúne esta quarta-feira ao fim da tarde o seu grupo parlamentar e só no final deverá dizer como votará esta comissão de inquérito.

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