Governo não vai pedir que seja retirado o convite a Le Pen

O Ministério da Economia informou que não vai pedir à organização do Web Summit que retire o convite a Marine Le Pen para participar no evento que se realiza em novembro, em Lisboa

O Governo não vai pedir à Web Summit para retirar o convite que fez a Marine Le Pen, líder da Reunião Nacional (antiga Frente Nacional), para participar no evento que acontece em Lisboa, no próximo mês de novembro.

A garantia é do Ministério das Economia, que, numa nota enviada às redações, referiu que o Governo "estando, pelo seu impacto, empenhado no acolhimento deste evento privado, não tem, como em outros eventos, intervenção na seleção de oradores".

Para o Executivo de António Costa, o Web Summit é "um fórum alargado de discussão de tendências de mercado, cujo alinhamento - oradores e programa - é da exclusiva responsabilidade da organização". Sublinha-se que a Web Summit é um evento tecnológico e de inovação, com milhares de oradores, que atrai a Portugal dezenas de milhares de empreendedores e investidores.

Fundador do Web Summit reagiu à polémica

A presença da líder da extrema-direita francesa no evento, organizado pelo irlandês, Paddy Cosgrave dividiu socialistas e levou o Bloco de Esquerda a exigir uma tomada de posição do Governo e da Câmara de Lisboa. "Não é aceitável que dinheiros públicos possam ser utilizados para, na verdade, ajudar Marine Le Pen a ter mais uma plataforma para passar mensagens de xenofobia e de racismo, como é a sua linha política", afirmou a deputada e a dirigente bloquista Isabel Pires.

Um dos deputados socialistas que se levantou contra a presença da líder da extrema-direita em Portugal foi o deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro. No Facebook, escreveu: "Não podemos permitir este branqueamento do fascismo numa Europa onde ele vai ressurgindo com roupagens trendy, como seria o caso de convidar uma dirigente fascista para subir ao palco de um evento financiado com dinheiros públicos portugueses. Não colhe nenhuma tentativa de apelar à "tolerância democrática" para dar voz a quem quer acabar com a tolerância e com a democracia".

Mas, em contrapartida, o ex-secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, defendeu que a decisão de convidar Marine Le Pen era 100% da responsabilidade da Web Summit. E, no seu entender, ouvir a líder da Frente Nacional francesa "é a melhor maneira de combater eficazmente as suas ideias".

Perante a polémica, o fundador do Web Summit reagiu numa extensa nota: "Se os nossos anfitriões, o Governo português, nos pedirem para cancelar o convite a Marine Le Pen, nós vamos respeitar esse pedido e vamos fazê-lo imediatamente". Paddy Cosgrave afirmou, porém, que o evento é um "espaço aberto ao debate entre vários pontos de vista".

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