Debate: Nem muito #bem nem muito #mal numa noite morna no Twitter

Em noites de grandes debates eleitorais o Twitter costuma andar à velocidade da luz, tal a frequência de comentários. Não foi o caso no Costa/Rio desta segunda-feira: poucos dirigentes partidários e comentadores encartados, e anónimos pouco empenhados.

"No dérbi político de hoje, ao Costa basta jogar para o empate. Já ao Rio, só lhe valeria uma goleada." A frase é de um anónimo -- "Sharkinho" -- e resume a expectativa que existia para o debate entre os líderes dos dois maiores partidos. Uma baixa expectativa que poderá explicar a ausência de nomes sonantes no Twitter a comentá-lo e a baixa intensidade do debate naquela rede social, onde se viram bastantes críticas aos moderadores, acusados de "não estudar" e de "pedirem opiniões e não propostas".

Mas se houve quem -- o dirigente centrista Pedro Pestana Bastos -- considerasse que o confronto Costa e Rio "parecia o Dupond e Dupont", e quem garantisse que "Rui Rio vai sair deste debate a votar PS", outros manifestaram-se surpreendidos pelo social-democrata: "Por acaso Rui Rio está a impressionar-me. Ainda é cedo para saber se ganhará o debate mas não tem estado mal", comentou o anónimo portuense "Sir Bronn". E o setubalense José Simões, autor do veterano blogue (de esquerda) "Der Terrorist", deu-lhe mesmo a vitória: "Do ponto de vista de quem não vai votar nem PS nem PSD quer-me parecer que Rui Rio ganhou este debate, por poucos mas ganhou." Pedro Rocha concordou: "Rio ganhou. Fica tudo na mesma, mas lá teve uma vitória."

Outro tuiteiro de esquerda, Fred, fez uma espécie de elogio envenenado ao presidente do PSD: "Quem diria que ainda íamos ver um líder do PSD a dizer que se deve lidar com "choques externos" através de redução de impostos e aumento do investimento público. Alguém avise o FMI que até já no PSD o passismo está a morrer..." E um anunciado votante no PAN, "Bossito", deu-lhe mesmo o prémio de consolação: "A verdade é que o Rui Rio é o líder do PSD mais decente das ultimas décadas (as da minha memória). Talvez por isso se prepare para ter o pior resultado de sempre para o PSD..."

Rui Cerdeira Branco, economista e socialista, não tem tanta certeza: "Depois de mais de um ano mumificado e/ou a colecionar gafes e a desbaratar capital, Rui Rio conseguiu regressar à casa de partida dando prova de vida. E tudo fica em aberto: vai perder de forma humilhante, com estrondo ou de forma razoavelmente aceitável face às expectativas?"

Outro socialista, o ex embaixador de Portugal em França Francisco Seixas da Costa, crê na segunda hipótese: "Rui Rio marcou pontos para poder continuar líder do PSD depois das eleições. Com um resultado à volta dos 25%, será "um problema" para os críticos internos. E, no imediato, pode ter evitado o deslize de votos para os grupos residuais da direita radical que por aí andam."

E vai mais longe no Facebook, num comentário a um post público do consultor de comunicação José Paulo Fernandes-Fafe: " Acho que o meu amigo teria gostado que Rui Rio tivesse perdido o debate. Mas não perdeu, desculpe lá! Rio deu razão os votantes tradicionais do PSD para manterem o seu voto habitual no partido e não fugirem para quem o disputa."

"Um teatro político absurdo"?

Pelo menos durante o debate, não parece ter havido grande acrimónia no Twitter. De resto, poucos foram os dirigentes partidários a ali comentar. À exceção de Edite Estrela, muito ativa nos #costabem e #riomal, os dirigentes socialistas primaram pela ausência. "Rui Rio começa à Passos: os ganhos na vida das pessoas não contam nada", disse Porfírio da Silva no início da contenda. E depois mais nada.

Também do lado do PSD não se viu grande animação. Paulo Mota Pinto postou um singelo #riobem no início do debate e só voltou a falar depois de terminar: "Rui Rio saiu do debate e disse: combinámos não falar à saída, e eu não falo. Costa sai e desata a falar. Mais um aspeto que resultou claro do pós-debate de hoje..."

Os comentadores "oficiais" também estiveram arredios. O sociólogo Pedro Adão e Silva, comentador da TSF, Expresso e RTP, decidiu criar uma hashtag a parodiar os #bem e #mal que as televisões instituíram, futebolisticamente, para os comentários tuiteiros aos debates: "Cenário horrível #tvsmal."

Não foi o único a referir questões estéticas. O cenário atrás do Costa é estranho mas é natural que o Rio esteja de frente para um cemitério", escreveu o cartoonista, escritor e moderador de O Último Apaga a Luz (RTP), Pedro Vieira. O politólogo José Adelino Maltez, por sua vez, só surgiu após o final do debate, para concluir: "Rio e Costa estiveram mesmo de acordo no fundamental. Ambos são mesmo sociais-democratas. Como cidadão, confirmo que não voto em nenhum deles. Não tenho essa fé."

Uma análise semelhante é a do esquerdista Sérgio Lavos: "Quanto mais Costa e o PS virarem o seu discurso para o centro (como Costa fez no debate com Rio), almejando a maioria absoluta, menos possibilidade têm de a obter. A viragem ao centro levará muitos eleitores a votarem mais à esquerda." Guilherme Trindade acha que pode não ser bem assim: "Este teatro político absurdo, de estarmos aqui todos a fingir que o Rui Rio tem mais hipótese de ser primeiro-ministro que a Joacine Katar-Moreira [cabeça de lista do Livre por Lisboa] quando tem uma base completamente desmotivada. O problema do PSD é sempre quando o PS é uma direita melhor que eles. São um apêndice."

Exclusivos

Premium

Espanha

Bolas de aço, berlindes, fisgas e ácido. Jovens lançaram o caos na Catalunha

Eram jovens, alguns quase adultos, outros mais adolescentes, deixaram a Catalunha em estado de sítio. Segundo a polícia, atuaram organizadamente e estavam bem treinados. José Manuel Anes, especialista português em segurança e criminalidade, acredita que pertenciam aos grupos anarquistas que têm como causa "a destruição e o caos" e não a luta independentista.