Cravinho defende 15% de mulheres militares "no mínimo"

Ministério da Defesa lançou um portal com informação sobre a Defesa Nacional e outro relativo ao recrutamento militar.

As Forças Armadas "não devem ter menos que 15%, no mínimo", de mulheres nas fileiras para poder responder aos pedidos de maior presença feminina nas missões externas feitos pela ONU, disse esta segunda-feira o ministro da Defesa.

"Temos um número insuficiente" de mulheres "para fazer face ao valor acrescentado" que dão aos contingentes militares no exterior e aos resultados dessas missões, sublinhou João Gomes Cravinho, no final da cerimónia de lançamento dos dois novos portais do setor na Internet: um para divulgar a Defesa Nacional, o outro para informar os jovens sobre o processo de recrutamento (desde as profissões militares aos incentivos e oportunidades de carreira) nos regimes de voluntariado e contrato.

Com menos de 12% de mulheres das fileiras e diferenças entre os três ramos, Gomes Cravinho reconheceu a necessidade de haver "medidas diferentes" para "responder às lacunas" específicas da Marinha, Exército e Força Aérea - a fim de aumentar, em mais de 3%, o efetivo atual de quase 3000 militares femininos.

Para isso contribuirão os portais agora lançados, permitindo que a Defesa se dê a conhecer com mais transparência e maior rigor, visando reduzir "as discrepâncias" registadas entre o grau de informação que os jovens têm sobre a vida militar e a realidade profissional que depois encontram - as quais justificam muitas das saídas precoces das fileiras, destacou o ministro da tutela.

De qualquer forma, como sublinharam o ministro e o diretor-geral de Recrutamento, Alberto Coelho, o portal do recrutamento não se destina a substituir a informação disponibilizada pelos três ramos mas a concentrá-la e torná-la mais acessível.

"Temos de trabalhar bem para evitar discrepâncias entre o que se imagina e o que se vai encontrar" nas fileiras, insistiu Gomes Cravinho, insistindo que o problema dos efetivos nas Forças Armadas centra-se menos na capacidade de recrutar e mais na dificuldade de reter os militares durante os seis anos de contrato ou, nos quadros permanentes, ao longo da carreira.

Greve dos motoristas

Questionado sobre o apoio que os militares possam dar em caso de greve dos motoristas de matérias perigosas, João Gomes Cravinho reafirmou que as Forças Armadas "estão sempre disponíveis" para responder às necessidades identificadas.

Contudo, frisou o ministro da Defesa, isso será feito "dentro do enquadramento constitucional apropriado".

"Se forem verificados os pressupostos que permitem constitucionalmente a utilização das Forças Armadas", alertou Gomes Cravinho, elas "obviamente corresponderão às necessidades e temos suficientes motoristas" nas fileiras para dar esse apoio.

Sobre se essa condição tem implícita a necessidade de decretar o estado de emergência. Gomes Cravinho limitou-se a dizer que essa é "matéria para constitucionalistas" e que "iremos estudar" se se justifica invocar.

Segundo a lei, "o estado de emergência é declarado quando se verifiquem situações de menor gravidade, nomeadamente quando se verifiquem ou ameacem verificar-se casos de calamidade pública" e onde est´´a previsto, "se necessário, o reforço dos poderes das autoridades administrativas civis e o apoio às mesmas por parte das Forças Armadas".

Aquando da greve realizada pelos motoristas de matérias pesadas em abril passado, as Forças Armadas disponibilizaram duas dezenas de militares habilitados a conduzir aquele tipo de viaturas.

Exclusivos

Premium

Legionela

Maioria das vítimas quer "alguma justiça" e indemnização do Estado

Cinco anos depois do surto de legionela que matou 12 pessoas e infetou mais de 400, em Vila Franca de Xira, a maioria das vítimas reclama por indemnização. "Queremos que se faça alguma justiça, porque nunca será completa", defende a associação das vítimas, no dia em que começa a fase de instrução do processo, no tribunal de Loures, que contempla apenas 73 casos.