Costa garante que não vai entrar na guerra dos tronos da UE

Primeiro-ministro português nega rumores que o apontam como um dos candidatos à sucessão do polaco Donald Tusk na presidência do Conselho Europeu

António Costa nega que seja candidato à presidência do Conselho Europeu a algum outro cargo na União Europeia. "É muito elogioso, mas eu não sou candidato a nada, a não ser às funções que exerço em Portugal", declarou o primeiro-ministro português, em Sibiu, na Roménia, onde está para participar na cimeira europeia.

Questionado pelo DN sobre se "não pretende entrar na guerra dos tronos da União Europeia", Costa respondeu que "não", justificando que está "muito concentrado naquilo que tem a fazer em Portugal".

"Há cinco anos, quando me disponibilizei a liderar o Partido Socialista, apresentei uma agenda para a década, e é nessa agenda que tenho estado focado e continuarei focado", garantiu o líder socialista, o qual, há menos de uma semana, foi vagamente apontado pelo Financial Times, entre todos os nomes possíveis, como um dark horse, entre as apostas disponíveis, na corrida a um dos cargos de topo, em Bruxelas. Entre eles o de presidente do Conselho Europeu, atualmente ocupado pelo polaco Donald Tusk.

"Obviamente o trabalho ao nível da União Europeia faz parte indispensável do desenvolvimento da nossa estratégia. É por isso que temos procurado manter uma posição muito ativa no seio da União Europeia", disse o primeiro-ministro, para quem a participação a nível europeu passa por um contributo com "propostas" ou pela "participação no Eurogrupo".

"Não passará seguramente por eu desempenhar qualquer função na União Europeia", vincou, garantindo que não será candidato, embora venha a ser "parte ativa na decisão de qual deva ser a equipa dirigente da União Europeia a seguir às eleições europeias".

"Os lugares, para já, dependem dos resultados das eleições europeias [de 23 a 26 de maio], portanto, daqui a 15 dias teremos resultados. Obviamente, é claro para todos que vai haver uma grande equilíbrio entre as diferentes forças políticas europeias", acredita Costa, destacando a possível recuperação entre a "família socialista".

"Durante muitos anos ouvi dizer que a família socialista e social-democrata e trabalhista estava em perda [e] agora, aquilo que constatamos é que está em alta", frisou o chefe do Executivo socialista, apontando "a vitória na Finlândia, com a vitória em Espanha, com uma muito provável vitória na Dinamarca". É certo que, nestes países, os socialistas foram os vencedores, mas no caso finlandês ganharam as eleições por apenas 6 mil votos e no caso espanhol sem maioria, assistindo à irrupção no Parlamento espanhol do partido de extrema-direita Vox.

Para António Costa, a discussão vai fazer-se num ambiente político de "equilíbrio razoável" ou até mesmo "um empate entre todas as forças políticas", depois dos resultados das eleições europeias, a partir das quais se procurará "o consenso ao nível do Conselho [Europeu]" para que seja adotada uma decisão, muito provavelmente a 28 de maio, numa cimeira extraordinária que deverá ser anunciada esta quinta-feira à tarde pelo presidente Donald Tusk.

Os chefes do Estado e do governo da UE reúnem-se esta quinta-feira em Sibiu, na região da Transilvânia, naquela que deveria ser a primeira cimeira pós-Brexit. Este não aconteceu, ainda. Mas mesmo assim a primeira-ministra britânica, Theresa May, não foi convidada a participar. Além do cargo de presidente do Conselho Europeu, vão ficar vagos estes ano os cargos de presidente da Comissão Europeia, do Parlamento Europeu, do BCE e de Alta Representante da União Europeia para a Política Externa.

Recorde-se que, em 2004, mais precisamente em junho, também na sequência de uma cimeira europeia, o nome de Durão Barroso, então primeiro-ministro de Portugal, também veio à baila como possível candidato a presidente da Comissão Europeia. Estas era na altura ainda liderada pelo italiano Romano Prodi. O gabinete de Barroso, do PSD, fez saber no imediato que o então chefe do governo de mostrara indisponível para aceitar o cargo. Também nesse mês e nesse ano se estava em ambiente de eleições europeias. O certo é que, como mais tarde se veio a comprovar, Barroso não só foi presidente da Comissão, como ficou em Bruxelas durante dois mandatos.

Nessa altura, o presidente da Comissão era indicado pelos chefe dos Estado e do governo, após negociações de bastidores. Arranjou-se depois um procedimento mais democrático, a chamada eleição do Spitzenkandidat, em que o presidente da Comissão deve refletir o resultado das eleições europeias. Ou seja, o grupo político mais votado tem, em princípio direito a ficar com o presidente. Mas se, durante muito tempo, o Partido Popular Europeu e os Socialistas e Democratas foram os grupos políticos mais votados para o Parlamento Europeu, as sondagens apontam para que, desta vez, tenham grandes perdas. E que haja uma grande subida dos liberais e dos partidos nacionalistas, populistas e extremistas de direita.

Os candidatos à sucessão do luxemburguês Jean-Claude-Juncker na presidência da Comissão são seis e vão realizar um debate, em Bruxelas, no próximo dia 15 de maio. Manfred Weber é o candidato do PPE, Frans Timmermans dos Socialistas, Margrete Vestager dos liberais do ALDE, Ska Keller dos Verdes, Nico Cué da Esquerda Europeia e Jan Zahradil dos Conservadores e Reformistas Europeus.

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