Costa discute lideranças da UE com cinco governos europeus

Faltam duas semanas para a cimeira europeia em que serão apresentados nomes para os cargos de topo. Ainda está "tudo em aberto". Mas as conversas prosseguem.

António Costa esteve ontem reunido, em Bruxelas, com cinco primeiros-ministros de governos europeus, num jantar de trabalho para concertarem as posições. "O objetivo da reunião informal foi realizar uma troca de opiniões entre as principais famílias políticas representadas no Conselho Europeu, sobre as futuras prioridades da União Europeia e a agenda estratégica", anunciaram num comunicado subscrito por todos.

Os primeiros-ministros da Bélgica, da Croácia, de Espanha, da Holanda, da Letónia e o de Portugal mantiveram uma "reunião construtiva", na qual "houve convergência nos elementos da agenda estratégica". No entanto, o comunicado final deixa entender que as três famílias políticas representadas pelos governos daqueles seis países ainda terão de avançar mais nas conversações, para chegarem a um acordo, quando afirmam que "foram identificados desafios".

"O Partido Popular Europeu, o Partido dos Socialistas Europeus e a Aliança dos Liberais e Democratas na Europa nomearam dois coordenadores para discutir com outros grupos políticos em sede de Conselho Europeu", sendo que as discussões informais que este grupo de seis promete continuar "nos próximos dias" não substituem "as discussões formais que terão de ser mantidas".

O texto final, de quatro curtíssimos parágrafos refere ainda que "os coordenadores concordaram em consultar as suas próprias famílias políticas e manter contato próximo entre si".

Três famílias políticas

A reunião desta sexta-feira acaba por representar uma nova fase nas negociações, envolvendo agora as três famílias políticas representadas simultaneamente no Conselho e no Parlamento Europeu. Numa primeira fase, Socialistas e Liberais adiantaram-se nas discussões, logo em Sibiu, Roménia, há menos de um mês. Mas, depois das eleições europeias percebeu-se que "matematicamente é impossível" estabelecer uma maioria democrática, no Parlamento, sem envolver o PPE, como notou António Costa no final da cimeira da semana passada.

Naquela altura, a convicção entre os líderes dos governos socialistas e liberais era a de que "chegou a altura de mudar", relativamente à presidência da Comissão Europeia. A afirmação foi expressa pelo primeiro-ministro português, no final da cimeira, mas ela resume o pensamento de alguns membros do grupo que ontem voltou a encontrar-se.

Afinal, passaram "pelo menos 15 anos" com a presidência da Comissão consecutivamente a cargo de presidentes do Partido Popular Europeu, depois dos dois mandatos de José Manuel Durão Barroso (2004-2014) e de Jean-Claude Juncker.

O nome do Frans Timmermans, atual primeiro vice-presidente da Comissão Europeia e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do governo holandês ganhava realce, especialmente por ter "experiência governativa, nacional e na Europa". Este perfil, traçado até por Emmanuel Macron, é coisa que "[Manfred] Weber não tem", como notou António Costa.

Estas afirmações surgiram numa altura em que ainda não se tratava de "excluir nomes". Mas, o perfil traçado pelo núcleo de governos que pretendem construir uma "base progressista" excluíam o candidato do PPE.

Alguns governos, entre os quais o alemão, de Angela Merkel, apoiante de Weber "não valorizaram especialmente, a necessidade de haver a experiência" em governos e em Bruxelas. A chanceler alemã declarou-o publicamente dizendo "eu apoio Manfred Weber", numa altura em que, como partilhou uma fonte parlamentar com o DN, "poucos acreditam" que o alemão venha a ocupar o cargo mais valorizado, na discussão que está em curso.

Os lideres pretende fechar uma decisão até 21 de junho, a tempo de o Parlamento Europeu se poder pronunciar, na primeira reunião plenária, no início de julho, para que possa ser formado o colégio de comissários, de modo a entrar em funções a 1 de Novembro. A decisão terá de ser enquadrada com os restantes cargos de poder.

Terão de ser decididas, em conjunto, a presidência do Conselho Europeu, a presidência do Conselho, bem como o cardo de Alta Representante para a Política Externa. Além dos equilíbrios políticos e regionais. O atual presidente do Conselho, Donald Tusk, que ontem esteve reunido, em Lisboa, com António Costa tem feito questão de afirmar que o equilíbrio de género deve ser assegurado, com "dois homens e duas mulheres nos cargos de topo".

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