Costa avisa: medidas especiais poderão durar "alguns meses"

Primeiro-ministro, entrevistado na SIC, diz que estado de emergência tem de ter conta, peso e medida porque "é necessário que a vida continue".

O governo vai dar "parecer favorável" a uma eventual decisão do Presidente da República decretando o estado de emergência mas, avisa o primeiro-ministro, as medidas de limitações de direitos, liberdades e garantias poderão durar "alguns meses", sendo portanto necessário avaliar o seu real alcance.

"As medidas têm de ser tomadas em função da necessidade" e não se pode pura e simplesmente fechar tudo porque é necessário também que a vida continue", afirmou nesta noite o primeiro-ministro.

Além disso, os decisores enfrentam um problema: "A falta de consenso técnico e científico não permite medidas políticas seguras." "Temos de ter a noção de que estamos a tratar de um vírus novo e com um comportamento imprevisível", disse o PM.

Ou seja: "Temos de estar sempre a prever o imprevisto."

Entrevistado na SIC, António Costa disse que a iniciativa de Marcelo de se fechar em casa foi "inspiradora" para a responsabilidade coletiva. "Temos querido que as pessoas tenham a consciência da gravidade do problema", sublinhou.

O chefe do governo aproveitou ainda a entrevista para deixar um recado ao sistema bancário, recordando a sua "grande responsabilidade" na crise de 2008.

Desta vez, "os bancos têm de ter hoje uma função de responsabilidade social e têm de o assumir". E "o dinheiro do BCE tem de chegar à economia real", ou seja, os bancos "têm de apoiar os seus clientes neste momento de dificuldades".

Quanto às contas públicas e à economia, o chefe do executivo não escondeu "grandes preocupações". Porém, salientou, Portugal tem agora uma vantagem: o saldo das contas públicas.

António Costa anunciou também que a Comissão Europeia apresentou ao Conselho Europeu, que vai reunir-se amanhã, uma proposta de limitação de voos vindos de fora da UE para dentro da UE.

No capítulo das políticas de controlo de fronteiras, salientou o carácter exemplar do acordo entre Portugal e Espanha para encerramento da fronteira que separa os dois países. "Fomos os primeiros países a fechar uma fronteira de forma coordenada."

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