Costa apela aos empresários: "Este não é o momento para fazer despedimentos"

Primeiro-ministro, entrevistado esta noite na TVI, diz que em maio terá um plano de "relançamento da economia" e que a Europa vai precisar de um plano Marshal porque se vive "um tsunami".

"Este não é o momento de fazer despedimentos, é o momento para empresários se debaterem pela sua empresa e pelos seus trabalhadores."

Este foi o apelo que o chefe do Governo deixou esta noite, entrevistado na TVI, aos empresários. Dizendo que o Estado está a gastar mil milhões de euros/mês para compensar os lay-off - situação em que o trabalhador não é despedido mais vai para casa com dois terços do salário -, António Costa deixou um aviso: quem despedir não terá acesso a linhas de crédito para relançar a sua empresa.

"Um milhão de desempregados? Temos de evitar esses cenários. Recurso ao lay-off custa mil milhões de euros por mês. Várias empresas estão a recorrer a despedimentos e é necessário os empresários sentirem confiança. Para os trabalhadores um corte de um terço no salário é um corte brutal. Temos de fazer um esforço em conjunto", afirmou.

Assumindo que é agora "irrealista" pensar que as contas públicas terão saldo positivo no final do ano - como pensava que aconteceria antes da pandemia -, o chefe do Governo disse que "gostava de ter uma bola de cristal para saber como estaremos em setembro". "Só sabemos que vamos ter esta situação pandémica até ao final de maio. Em junho vamos ver como estamos. E ainda há questão de poder haver ou não uma segunda vaga".

"Nunca perderemos o controlo da situação"

Além do mais, a recuperação da economia não poderá residir num esforço único do Estado, que "não tem uma varinha mágica". "Terá de ser um esforço das empresas, dos trabalhadores e do Estado", disse.

O chefe do Governo defendeu, por outro lado, a necessidade de a Europa pensar num mega plano global de recuperação económica: "Há um debate duro na Comissão Europeia. Era impossível há uns anos a UE flexibilizar o pacto orçamental. Temos de ter um plano Marshall ou von der Leyen para depois desta pandemia."

Quanto à forma como o SNS está a enfrentar a pandemia, o chefe do Executivo assegurou que "no pior dos cenários, nunca perderemos o controlo da situação". "Temos camas suficientes no SNS e temos duas mil camas de reserva nas Forças Armadas. Penso que não vamos atingir o ponto de rutura", afirmou.

Acrescentando: "Até agora, não faltou nada [de equipamento] e não é previsível que venha a faltar o que quer que seja. Houve reforço de mil médicos e 800 enfermeiros e da resposta da linha SNS 24. Temos 1142 ventiladores. A margem ainda é muito significativa, tendo em conta as pessoas em cuidados intensivos. Virão mais ventiladores da China até 14 de abril e têm havido doações".

"Roo as unhas e não o posso fazer"

Além disso, "estão encomendados 280 mil testes rápidos e que chegarão ao longo dos próximos dias" - "nesta semana chegarão 80 mil" e "estamos a adquirir o que é possível adquirir".

Citando "estudos epidemiológicos", disse que "o cenário de pico é meados de abril e o final desta primeira onda nos finais de maio". Importa, entretanto, seguir "uma regra básica: quanto menso contactarmos, menor é o risco de nos contaminarmos uns aos outros". "O contributo que cada um pode dar é ter uma enorme disciplina de distanciamento social, lavar as mãos e não levar as mãos à cara. O achatar da curva depende fundamentalmente de nós. É necessária disciplina. Eu roo as unhas e não o posso fazer."

Dito de outra forma: "As pessoas têm que estar conscientes dessa emergência mas não entrar em pânico." E saber que "não há boias que nos ajudem num tsunami". "Um tsunami é um tsunami. Este processo vai ter dor."

Segundo assegurou, "o número de casos confirmados é inferior ao de casos estimados" e o melhor mesmo seria "a epidemia durar mais tempo e não haver tanta gente infetada simultaneamente", partindo "daí a necessidade de alisar a curva".

"As forças de segurança serão implacáveis"

Seja como, quanto à progressão da pandemia em Portugal, "só no final da próxima semana é que poderemos fazer uma avaliação".

António Costa revelou ainda que esta segunda-feira foram detidas nove pessoas por violarem imposições de isolamento obrigatório (no domingo foram sete). E mostrou-se indignado com a afluência neste fim de semana de pessoas a espaços públicos abertos (na marginal da Póvoa de Varzim, por exemplo): "Não pode voltar a acontecer o que aconteceu este fim de semana, com tantas pessoas nas marginais."

Assim, se o Governo achar necessário tomará medidas para impor um quadro sancionatório à violação dos deveres de resguardo. E "as forças de segurança serão implacáveis". Para já, "devemos salvaguardar a liberdade e ter uma atitude pedagógica",pedindo-se a cada um que seja "muito disciplinado" e que tenha "muito sangue frio", tendo "consciência da gravidade da situação". "Espero que os portugueses tenham civismo", afirmou

Questionado pelos jornalistas, o chefe do Governo falou ainda do paquete de passageiros que atracou em Lisboa. Assegurando: "Só permitimos o desembarque dos 27 cidadãos nacionais e depois de testados. Todos foram evacuados diretamente do navio para suas casas. Os estrangeiros estão todos impedidos de sair e quando saírem vão diretamente para aviões charters para os respetivos países."

António Costa confirmou ainda que a 9 de abril será reavaliada a decisão de fechar as escolas.

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