Catarina Martins: "O Governo nada teria feito sem o Bloco e o PCP"

Bloquistas defendem quatros anos de geringonça e que se evite uma maioria absoluta do PS. "A arrogância das maiorias absolutas significa sempre um recuo", disse Catarina Martins, num almoço-comício em Lisboa.

A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, deixou este sábado um aviso contra uma maioria absoluta socialista, ao defender que "este país sabe que a arrogância das maiorias absolutas significa sempre um recuo". Não foi a única: à vez, Pedro Filipe Soares e Mariana Mortágua também deixaram alertas para a necessidade de evitar um executivo em que o PS dispense a esquerda para governar.

Falando num almoço comício, num pavilhão da FIL em Lisboa, que juntou cerca de 1500 pessoas, Catarina Martins revisitou os quatro anos para notar que chegaram até aqui, "depois de um caminho de quatro anos em que" os bloquistas pararam "o caminho do empobrecimento". E para prosseguir há que evitar essa maioria.

"Orgulhamo-nos do caminho feito e não discutimos quem é que teve a ideia de cada uma das medidas. O Governo nada teria feito sem o Bloco e sem o Partido Comunista Português", apontou a líder do BE.

Catarina Martins regressou à origem da geringonça - tão discutida nos primeiros dias da campanha - para lembrar que "três semanas antes das eleições de 2015" disse a António Costa que fariam "uma maioria de governo se o PS aceitasse três condições: descongelar as pensões, não diminuir a contribuição das empresas para a Segurança Social e não facilitar os despedimentos".

Se os socialistas seguiram com o objetivo da maioria absoluta, "no dia das eleições, toda a gente ficou a saber que o Bloco de Esquerda mantinha o mesmo desafio que tinha feito, toda a gente sabia que era possível trabalhar para um acordo". "E esse acordo foi a melhor notícia que Portugal teve nos últimos quatro anos", completou.

A líder bloquista promete que lembrará que "a solução para o dia seguinte às eleições" é "reforçar o Serviço Nacional de Saúde" (SNS), recordando os exemplos de António Arnaut, "fundador e antigo presidente do PS", e João Semedo, que foi coordenador do Bloco, que deixaram para trás as suas divergências "de partido" e construíram uma proposta conjunta para "salvar o SNS" e a que o BE se agarra desde então. "No dia 7 de outubro", insistiu Catarina Martins, "o que nós diremos é: vejam o exemplo de António Arnaut e João Semedo", que preferiram "responder pelo país" e não pelos partidos.

Mariana Mortágua, a n.º 1 da lista de Lisboa, que falou antes, lembrou que "sem acordos à esquerda", muitas das medidas de recuperação de rendimentos e devolução de direitos "não teriam sido possíveis". "A esquerda contou para o povo porque não houve maioria absoluta", atirou. "Estas medidas como tantas outras foram negociadas", resultando de um "trabalho conjunto" e difícil, porque "havia uma esquerda forte". "Eu sei, eu estive lá."

Se os socialistas e António Costa têm agitado com o diabo que será a vitória da direita que fará reverter o trabalho destes quatro anos, o BE avisa que é a maioria absoluta que fará recuar o trabalho da geringonça. O líder parlamentar do BE e candidato por Lisboa lembrou que "há quatro anos", a direita embandeirava com "a estabilidade", "agora é o partido que está no poder" que o faz. "O PS tem sido fraco a combater a especulação", atirou Pedro Filipe Soares, notando que, para os socialistas, "é mais dourado o visto que o direito à habitação".

Enumerando também algumas das medidas que contaram com o BE, Pedro Filipe Soares recusou que Mário Centeno seja o alfaiate do país. "Nós sim, sabemos as medidas que o país precisa", contrapôs. "É a força do BE que garantiu democracia ao país", completou.

Foi isso que aconteceu há quatro anos, nas eleições legislativas. "Chegámos aqui com a força de quem votou em 2015", sublinhou depois Catarina Martins. "Aqui chegámos porque nestes quatro anos não houve só o voto, houve a luta na rua", apontou a bloquista, para enumerar lutas que acompanharam das amas da Segurança Social, de assistentes da Santa Casa, dos mineiros de Pedroselo, em Penafiel, de moradores de bairros de Lisboa, Amadora, Barcelos, de grupos feministas, de jovens pelo clima ou "comunidades racializadas".

Este sábado à tarde, o BE sai à rua no Parque das Nações, em Lisboa, e amanhã volta a juntar-se para um almoço em Viseu, onde o partido aposta forte na eleição (nunca antes ocorrida) de um deputado.

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