Catarina e Assunção acusam-se de um "enorme aumento de impostos"

Impostos e fiscalidade dominaram o debate entre as líderes do Bloco de Esquerda e do CDS.

A falar para a classe média, a partir dos dois extremos políticos do Parlamento, Catarina Martins e Assunção Cristas acusaram-se mutuamente de promover um aumento dos impostos sobre a classe média, naquele que foi o segundo debate televisivo entre líderes partidários, que esta noite decorreu na RTP3. "O Bloco de Esquerda é co-responsável pela maior carga fiscal de sempre", acusou a líder do CDS, afirmando que os bloquistas querem aumentar impostos, na próxima legislatura, ao propor o fim de 127 benefícios fiscais.

Catarina Martins tinha começado o debate a afirmar que o CDS quer um "Portugal offshore", em que a economia se afirma pela descida dos impostos sobre as empresas, e contrapôs às críticas da líder do CDS que a "receita fiscal aumentou porque a economia está melhor" e que o "rendimento disponível em Portugal aumentou 8,2%", acima da média da OCDE. "Não sei que famílias é que conhece, as que eu conheço sabem que estão a pagar menos impostos", contrapôs, levando ao debate o "enorme aumento de impostos do governo onde esteve a dra Assunção Cristas".

Uma acusação recusada pela líder centrista, que rejeitou comparações entre os "tempos excecionais" de então e os "tempos normais" do atual executivo. "O enorme aumento de impostos foi revogado pela máxima carga fiscal de Centeno, do seu governo", acrescentou Cristas, que já tinha acusado o atual Executivo de se ter "apropriado da riqueza criada pelos portugueses", argumentando que "a carga fiscal subiu acima da melhoria da economia". Catarina Martins também ainda voltaria ao tema, para defender que o aumento de impostos de Gaspar não foi uma inevitabilidade, foi uma escolha, lembrando a baixa do IRC, imposto que incide sobre as empresas.

A questão dos impostos e da fiscalidade dominou boa parte do debate moderado pelo jornalista António José Teixeira, que questionou as duas lideres sobre a necessidade de investimento público. Mais a falar para o próprio eleitorado do que a debater, ambas concordaram, mas de uma perspetiva muito diferente. Catarina Martins defendeu mais investimento público, destacando o Serviço Nacional de Saúde. Assunção Cristas defendeu que o "que temos de estimular é o investimento privado" - "foi o que puxou o país nestes quatro anos".

No final, questionadas sobre as questões ambientais, a coordenadora do Bloco de Esquerda defendeu a importância do combate às alterações climáticas, dado que com o clima "não se negoceia". Também a líder centrista destacou que Portugal é dos países mais expostos às alterações climáticas.

Esta foi a primeira vez que as duas lideres partidárias se encontraram num debate, já que em 2015 a campanha eleitoral dos centristas foi ainda protagonizada por Paulo Portas, que viria a deixar a liderança do partido no final desse ano. Assunção Cristas assumiu a presidência do CDS em março de 2016.

Ontem, o debate de estreia juntou António Costa e Jerónimo de Sousa, com os líderes do PS e do PCP a protagonizarem uma conversa "amigável" que não fechou portas para o futuro. Esta noite foi a vez de CDS e BE. É o seguinte o calendário para os próximos dias:

5 setembro - Rui Rio - Assunção Cristas (SIC);
6 setembro - António Costa - Catarina Martins (RTP 1);
7 setembro - Catarina Martins - André Silva (SIC Notícias).

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