"Caso Berardo é um caso de polícia", diz Marques Mendes

Comentador político considera que tanto o empresário como os bancos devem ser responsabilizados. Sobre as condecorações retiradas a Berardo, disse ainda que se o fazem a ele também deveriam fazer José Sócrates.

"Acho que o caso Berardo é um caso de polícia", disse este domingo o comentador político Luís Marques Mendes, no seu segmento de opinião do Jornal da Noite da SIC. Questionado sobre a mais recente polémica que envolve o empresário Joe Berardo, o antigo líder do PSD considerou que tanto o comendador como os bancos envolvidos "merecem ser investigados" e responsabilizados.

Marques Mendes frisou que "nem um nem outro merecem nem desculpa nem perdão". "No mínimo, Berardo aldrabou os bancos. E os bancos também tiveram culpa grave e atitudes negligentes", disse. Acrescentou que está à espera de ver ação por parte da justiça portuguesa, mas que "não é aceitável esta delonga", pois entretanto "perdem-se provas".

O comentador realçou ainda que "este é o primeiro grande desafio à nova Procuradora-Geral da República"

Sobre a retirada das condecorações atribuídas anteriormente a Berardo, Marques Mendes disse estar de acordo. Esta semana, a comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD) deu parecer positivo à proposta do CDS-PP de retirar as comendas ao empresário. "Comporta-se com uma altivez e arrogância que justificam" a medida, esclareceu.

Mas se retiram a Joe Berardo, também deveriam retirar a José Sócrates, disse, lembrando uma condecoração que o antigo primeiro-ministro recebeu em 2015 - a grande Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. "José Sócrates é um caso que tem de ser encarado também. A sua conduta independentemente da questão judicial, mancha a imagem a Portugal", rematou.

"Acho é que as pessoas não atribuem grande importância ao Parlamento Europeu"

... e as Europeias

Durante o seu segmento televisivo de opinião, houve ainda espaço para discutir o estado das campanhas às eleições europeias e até fazer algumas previsões.

"Vamos ter uma grande abstenção", que "só nos últimos cinco anos esteve sempre acima dos 60%", começou por adiantar. Mas não considera que Portugal "deva dramatizar" a questão. "Acho é que as pessoas não atribuem grande importância ao Parlamento Europeu", acrescentou.

Luís Marques Mendes considera que as campanhas que estão a decorrer se caracterizam por serem "sui generis" e centradas em António Costa. "Parece que só se fala de António Costa. Costa fala do PS e os opositores só falam de Costa", desenvolve.

Quanto aos resultados possíveis destas europeias, o comentador político atreve-se a dizer que "a Europa vai ter uma grande subida da extrema-direita nestas eleições", mas o mesmo "não vai acontecer em Portugal".

Este domingo, Marques Mendes elegeu como "pior da semana" André Ventura, o candidato da coligação Basta às eleições europeias. Para justificar a sua escolha, recorda o dia em que o cabeça de lista trocou um debate com candidatos ao Parlamento Europeu por um programa de comentário desportivo. "Trocou o futebol pela política num momento em que está a começar a vida política. Não podia ter começado de pior maneira", disse.

Do outro lado da balança está o ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, eleito como o "melhor da semana", depois de ter "desbloqueado uma greve" do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas e e de ter ajudado "a mediar negociações". "Tem mérito", rematou.

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