BE promete não deixar cair tema dos cuidadores informais

Catarina Martins diz que é preciso que o novo estatuto do cuidador informal tenha tradução financeira no Orçamento do Estado.

A líder do Bloco de Esquerda prometeu esta terça-feira que "não vai deixar cair" o tema dos cuidadores informais porque o passo dado com o estatuto precisa de um Orçamento do Estado que o concretize, protegendo carreiras contributivas e garantindo o descanso.

Ao décimo dia de campanha, Catarina Martins quis dar voz aos cuidadores e às cuidadoras informais, juntando cerca de três dezenas numa sala da Escola Artística do Porto para que cada um contasse a sua história e alertasse para quase tudo o que falta fazer depois do estatuto do cuidador informal, cuja regulamentação tem que ser feita pelo Governo até ao início de 2020.

"Há uma certeza que vos deixo. O Bloco de Esquerda não deixa este assunto cair. Nós não cantamos vitória por termos aprovado o estatuto de cuidadores informais, o que nós dizemos é: demos um passo, demos um passo contra a invisibilidade", prometeu aos presentes, na sua intervenção final, depois de ouvir mais de uma dezena de testemunhos.

Segundo a líder bloquista, há "hoje um instrumento para reivindicar direitos", que é o estatuto publicado em Diário da República a seis de setembro, reivindicação feita "sem nenhum triunfalismo" porque as questões só estão resolvidas quando isso tiver repercusão "na vida concreta de cada um e de cada uma".

"Para isso é preciso um Orçamento do Estado que concretize o que está na lei - por pouco que seja -, mas é preciso ir ao Código do Trabalho, proteger todas as pessoas que querem conciliar estarem a trabalhar com o cuidado. E é preciso ir à Segurança Social, proteger toda a gente que não tem a carreira contributiva", sintetizou.

Para "desenhar um país melhor", a líder bloquista defendeu que é urgente "responder ao país concreto que temos, com estas 800 mil pessoas", os cuidadores informais, que têm de ter direito ao descanso e também precisam de ver protegida a carreira contributiva".

Enquanto a coordenadora do BE enunciava as prioridades, uma das pessoas presentes na sala interrompeu a intervenção para criticar a insuficiência do projetos-pilotos para responder a este problema. "Nós não gostamos de projetos-piloto. A pobreza não é um projeto-piloto. Nós ontem [segunda-feira] estivemos a discutir sobre a vida independente e temos o mesmo problema porque na vida independente nós também queríamos uma lei para garantir a assistência pessoal e fizeram um projeto-piloto", criticou Catarina Martins.

Na perspetiva de Catarina Martins, "um país que se leva a sério não pode condenar à pobreza quem deixou de trabalhar para cuidar de quem precisava".

A lei que cria o Estatuto do Cuidador Informal foi aprovada a 5 de julho, por unanimidade, na Assembleia da República.

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