"Não é o momento para dar sinal errado e aliviar medidas"

O primeiro-ministro anunciou esta terça-feira que praticamente todas as medidas de contenção do estado de emergência se vão manter além de 17 de abril. António Costa não se compromete com o aumento do salário dos funcionários públicos em 2021, mas sim com o investimento no aeroporto do Montijo.

"Não é o momento para dar o sinal errado e começar a aliviar as medidas". Foi assim que, em entrevista ao Observador, António Costa anunciou que as medidas impostas à circulação das pessoas e às atividades económicas se vão manter além de 17 de abril, quando termina o segundo período do estado de emergência e o Presidente se prepara para renovar um terceiro. O líder do governo admitiu, no entanto, que seja levantada a proibição ao direito à greve.

O Presidente da República já tinha dito, num pré-anúncio de mais um período de estado de emergência, que "esta firmada a minha convicção de renovar o estado de emergência até 1 de maio. Naturalmente, ouvirei os especialistas e o governo e será a Assembleia a autorizar, mas não podemos brincar em serviço, afrouxar, neste momento decisivo, baixar a guarda."

António Costa insistiu que apesar do mês de abril ser o mais difícil, pela fadiga e pelos custos económicos deter o país bastante parado não é possível baixar a guarda. Mas "não vamos poder esperar pelo dia da vacina", disse, projetando a retoma da atividade económica de forma gradual e progressiva. "No dia em que se retirarem as medidas, os contactos vão aumentar e o risco de contágio também aumentará e temos de fazer tudo para que não passe o limite do controlável". Ainda assim, o primeiro-ministro apelou a que os portugueses não esqueçam as férias de verão, porque o setor está a ser dos mais afetados.

"Não vamos poder esperar pelo dia da vacina"

O primeiro-ministro enquadrou a decisão do possível regresso à escola para o 11.º e 12.º, neste quadro de regresso à normalidade gradual e para "evitar injustiças no acesso à universidade". Garantiu, por outro lado, que tudo está a ser feito "para mitigar" as desigualdades na aprendizagem à distância para os alunos dos ensinos básico e secundário. O que também será compensado, disse, com o investimento nos equipamentos e acesso à internet para todos os alunos no próximo ano letivo. E gostaria que já fosse possível concretizar logo no início do ano letivo. "Estamos a trabalhar para isso", assegurou.

"Não podemos estar um ano letivo inteiro fechados em casa, mas temos melhores ferramentas do que tínhamos. Mas temos de ter uma rede de segurança, porque pode haver picos da pandemia".

Ainda no plano que será desenhado para levantamento das medidas de restrição - e que também está a ser discutido na Europa - Costa admitiu que poderemos ter um país a "múltiplas velocidades", situações diversas em várias regiões e setores de atividades e não excluiu a hipótese de um maior confinamento dos mais idosos e vulneráveis.

Nacionalização da TAP e aeroporto do Montijo

Os efeitos devastadores da pandemia sobre a economia mundial e nacional têm de levar os Estados, considerou Costa, a olhar para as empresas que se desvalorizaram fortemente, impedindo que ocorram ofensivas estrangeiras, incluindo a chinesa. Neste quadro inscreveu a situação da TAP, empresa que considerou vital para Portugal e para a qual admitiu que possa ser necessária a nacionalização. "Não excluímos essa hipótese".

Um investimento de que não tem dúvida é o do novo aeroporto do Montijo, apesar dos fluxo turístico ir cair muito nos próximos anos. "Este não é o momento de desinvestir, é o momento de investir". O primeiro-ministro deu nota de querer manter os calendários de construção da infraestrutura aeroportuária.

Mas sobre os prometidos aumentos da função pública para 2021, António Costa admitiu que poderão não ser possíveis. E embora se tenha mostrado convicto de que não será aplicada austeridade no país pós-pandemia, mostrou-se cauteloso. "Tudo o que sejam medidas que asfixiem os agentes económicos, as famílias e as empresas são receitas erradas para o futuro".

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