Bloco. Novo acordo de governo terá de ir a referendo

Moção maioritária à convenção dos bloquistas impõe consulta aos militantes em caso de acordo pós-legislativas

Se as eleições legislativas de 2019 vierem a resultar num novo entendimento à esquerda, o acordo terá que ser aprovado em referendo interno pelos militantes do Bloco de Esquerda. Uma obrigatoriedade que está expressa na moção "Um Bloco mais forte para mudar o país", que tem como primeiros subscritores a líder do partido, Catarina Martins, Pedro Filipe Soares (líder parlamentar) e a eurodeputada Marisa Matias, e que deverá ser aprovada na Convenção do Bloco de Esquerda, que decorre este fim de semana, em Lisboa.

"Os aderentes do Bloco serão chamados a debater e a pronunciarem-se em referendo interno sobre propostas de acordos com outras forças políticas que eventualmente venham a surgir na sequência dos resultados das eleições legislativas", diz expressamente o documento. Uma novidade relativamente ao que aconteceu em 2015, dado que a constituição da geringonça não foi sujeita a sufrágio interno dos militantes (ou aderentes, como se chamam no BE).

Bloco "quer ser força de governo"

Na moção - que congrega as principais tendências do partido e elegeu 523 dos 625 delegados ao congresso - os signatários sustentam que o Bloco "quer ser força de governo, com uma nova relação de forças".

"Esse governo fará o que o PS recusou fazer, partindo do ponto em que o PS travou, sem tibiezas: relançar a saúde e a escola públicas e a dignidade do trabalho, combater o rentismo e recuperar a propriedade de bens estratégicos na economia e no ambiente". E, em simultâneo, "abrir um processo de alteração dos tratados europeus para a redefinição da política económica e da dívida". "Sem essa redefinição, não há espaço para políticas de esquerda", estabelece o documento.

À convenção dos bloquistas, que começa esta noite com uma sessão intitulada "Bella Ciao: por uma Europa de solidariedade e liberdade" - apresentam-se três moções. Além da moção A, que reúne todas as principais figuras do Bloco de Esquerda, será também discutida uma moção C, intitulada "Mais democracia, mais organização", apresentada por um conjunto de militantes da zona de Paredes, e que elegeu 12 delegados à convenção.

Há ainda a moção M - "Um Bloco que não se encosta" - que junta nomes oriundos da antiga moção R, que em anteriores convenções agrupou um conjunto de militantes crítico do rumo do partido. Esta lista chega à Convenção com 47 delegados.

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