William e Kate lutam contra o 'bullying' virtual

Os duques de Cambridge procuram soluções para travar o crescimento do problema

Talvez pelo facto de terem dois filhos, os príncipes George, de dois anos, eCharlotte, de seis meses, que nasceram na era das redes socias, William e Kate não estão alheios à questão do bullying virtual. Os duques de Cambridge procuram soluções juntos dos responsáveis das redes sociais mais utilizadas do mundo, tendo já pedido uma reunião, para o próximo ano, com os mesmos.

"São pais e esse papel está definitivamente a moldar as suas perceções em relação a esta questão. Por isso, querem falar e ver o que pode ser feito com os jovens que são vítimas de bullying virtual, bem como todas as formas de bullying", acrescentaram os representantes dos duques de Cambridge ao The Sunday Times.

O casal espera que o diálogo com as empresas de redes sociais seja construtivo e que reduza algumas estatísticas, como os 33% de adolescentes que afirmam já ter sido vítimas de bullying virtual, o milhão de adolescentes que sofreu a mesma situação no Facebook, no ano passado, e os 67% de jovens que consideram que serem maltratados online é um problema.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...