Ricardo Quaresma: "Em Portugal nunca me deram o devido valor"

Em entrevista a Daniel Oliveira para o programa 'Alta Definição', o futebolista Ricardo Quaresma revelou que gostava de ter 'metade do respeito e admiração' dos portugueses como tem dos turcos

A jogar no campeonato de futebol turco desde a última época, Ricardo Quaresma revelou em entrevista ao programa Alta Definição, exibido na SIC, que se sente "um rei" devido à forma como é tratado naquele país. "Não sei explicar a admiração e o amor que os turcos têm por mim. Quem me dera ter metade do respeito e da admiração dos portugueses como tenho dos turcos", justificou o futebolista.

No programa, que foi exibido este sábado, o extremo que atualmente alinha pelo Besiktas, clube que este ano foi campeão do campeonato turco, foi mais longe na sua conversa com Daniel Oliveira: "Em Portugal nunca me deram o devido valor. Nem futebolístico, nem humano".

Ricardo Quaresma, que integra o lote dos 23 jogadores convocados por Fernando Santos para a Seleção Nacional e que se prepara para disputar o Europeu de futebol, que irá realizar-se em França, também manifestou o seu desagrado relativamente a alguns comentários de que é alvo em programas desportivos. "Custa-me ver pessoas que nem sequer conheço a dizerem que causo problemas na cabine", frisou.

Sobre o FC Porto, o futebolista afirmou que saiu do clube "sem saber porquê" e garantiu que em momento algum desrespeitou a equipa. "Nunca falei mal do clube, nem vou falar porque o [FC] Porto é o meu clube. Ao contrário do treinador [Julen Lopetegui], que veio a público fazer críticas", atirou.

Além de futebol, o extremo também falou sobre as dificuldades que passou na infância, nomeadamente a ausência do pai. "Os meus pais separam-se quando tinha quatro anos. Foi complicado ir treinar e ver os pais à espera dos filhos, chegar a casa e ele não estar lá. Mas depois começas a crescer e habituas-te", revelou, acrescentando que a situação foi superada e que hoje tem uma ótima relação com o pai.

Apesar de ter ter passado por dificuldades financeiras quando era criança, Ricardo Quaresma garante que em sua casa "nunca faltou amor" nem "comida em cima da mesa" e que hoje tenta retribuir tudo o que recebeu da mãe, que tinha três empregos para poder sustentar a família.

O futebolista faz questão de ajudar o IPO do Porto, uma vez que já teve familiares com cancro. "O cancro é terrível. Já tive pessoas na minha família [com cancro], mas graças a Deus estão todos bem".

Na entrevista a Daniel Oliveira, o jogador também recordou o momento em que foi vítima de um assalto, em abril de 2014. "Foi tudo muito rápido. Ao início pensei que fosse palhaçada porque toda a minha vida foi ali naquele bairro [Chelas], mas depois percebi que não era (...) Tive três armas apontadas à cabeça". E acrescentou: "Ainda bem que não reagi. Se calhar hoje não estaria cá".

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