Presidente deixa o luto três anos após morte do marido

Cristina Kirchner voltou a usar peças de roupa branca nos seus atos oficiais. Imprensa argentina atribui fim do monocromatismo preto ao término do luto e à superação do problema de saúde.

"Gosto do branco, como os loucos", havia confidenciado a chefe de Estado argentina na sua biografia Reina Cristina, da autoria de Olga Wornat, lançada em 2005, sem saber que cinco anos mais tarde deixaria de usar a sua cor preferida.

Em 2010, Cristina Kirchner dizia adeus ao seu marido e antigo dirigente do país, Néstor Kirchner, vítima de um ataque cardíaco, e a partir de 27 de outubro desse ano a presidente da Argentina iniciava um longo luto, que só agora chega ao fim.

Depois de se vestir integralmente de preto nos últimos três anos, nas suas aparições públicas, Kirchner surpreendeu, no início do mês, ao aparecer com uma blusa branca num vídeo que marcou também o seu regresso ao trabalho.

A dirigente argentina estava afastada das suas funções há duas semanas, a recuperar de uma neurocirurgia, depois de ter sido diagnosticada com um hematoma cerebral. Num vídeo dirigido à nação, a Chefe de Estado da Argentina agradecia o apoio neste momento de recuperação, enquanto surpreendia ao envergar uma blusa branca.

Desde esse momento que o regresso ao branco tem sido gradual. Na passada terça-feira, Cristina Kirchner voltou a reforçar a sua intenção de deixar o preto, ao reunir-se com o presidente da BAFS (Badische Anilin und Soda-Fabrik), uma empresa de químicos, vestindo uma camisa totalmente branca.

Segundo a imprensa argentina, o fim do monocromatismo preto está relacionado, não só com o fim do luto, mas também com a superação do problema de saúde.

Recorde-se que os Kirchner estiveram casados 35 anos e tiveram dois filhos em comum: Máximo e Florencia.

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