Malato aplaude adoção por casais homossexuais e critica o Papa

O apresentador frisou, no entanto, que não planeia adotar porque não sente o "apelo de paternidade"

José Carlos Malato foi um dos jurados da 23.ª gala da Abraço, associação que usa a expressão artística como sensibilização para o vírus do VIH/SIDA, e que reuniu convidados esta terça-feira à noite no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa.

O apresentador da RTP aproveitou a ocasião para alertar para o papel do Estado no combate ao preconceito para com vítimas desta doença. "É para isso que pagamos o Serviço Nacional de Saúde e, portanto, congratulo muito o facto de termos um governo que finalmente dá atenção a este tipo de coisas. É mais uma razão para estarmos contentes, por termos a esquerda no poder".

Malato assumiu-se como "apoiante de António Costa" e elogiou duas das suas primeiras medidas: a legalização da adoção de crianças por casais do mesmo sexo e a revogação das últimas alterações à lei do aborto. "Ao contrário do que disse a direita, as duas primeiras medidas deste governo foram extraordinárias". E acrescentou: "Acho que agora voltou o coração às questões de saúde e isso é importantíssimo, especialmente para as pessoas que estão doentes, desta [VIH] ou de outras doenças".

Questionado, o anfitrião de Quem Quer Ser Milionário - Alta Pressão, garantiu, porém, que não pretende adotar, uma vez que não sente "nenhum apelo de paternidade". "Mas uma coisa é eu não querer, outra coisa é não ter possibilidade de o fazer, e isto abre uma janela de oportunidade muito grande para as pessoas que querem ser pais", sublinhou.

Mas enquanto o atual governo português recebeu aplausos de Malato, a atitude da Igreja Católica mereceu algumas críticas da sua parte. "Eu sou de uma geração em que morreu muita gente por falta de informação, amigos meus também, e tenho pena que o Papa, que é uma pessoa tão para a frente e que tem sido uma pessoa tão acarinhada, nesta sua última viagem [a África], ao ser inquirido pelos jornalistas sobre o assunto, não tenha gostado muito. Ainda é um assunto tabu e é uma pena. O preservativo pode, de facto, fazer a diferença", rematou.

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