Juiz recusa encerrar caso com 40 anos que acusa Polanski de violação

"O acusado neste caso é um fugitivo que se recusa a executar as ordens judiciais", considerou o magistrado

Um juiz de Los Angeles recusou, numa decisão divulgada na sexta-feira, encerrar o caso da acusação de agressão sexual contra o cineasta franco-polaco Roman Polanski, conforme solicitado pelo acusado e pela vítima.

"O acusado neste caso é um fugitivo que se recusa a executar as ordens judiciais", escreveu o juiz Scott Gordon na sua sentença.

"Embora ela tenha sido descrita de maneira eloquente", a vítima de 54 anos, Samantha Geimer, tinha 13 anos no momento dos acontecimentos, "a sua conduta continua a prejudicá-la e amplifica o trauma da agressão sexual que ela sofreu", argumenta o juiz.

Para o magistrado, "a única coisa que mudou neste caso é que o acusado, por meio de seus advogados, continua os seus ataques contra cada magistrado encarregado do caso" e "este comportamento não constitui uma base para o encerramento da acusação"

"Este tribunal continua a estudar um caso de 40 anos com um acusado [de 84 anos] que cumpriu mais de três vezes a sentença proferida por este tribunal", disse o advogado de Polanski, Harland Braun.

Samantha Geimer pediu em junho último ao tribunal para "encerrar o caso", afirmando que os intermináveis procedimentos prejudicaram a sua vida e que ela já perdoou o seu agressor.

O cineasta, que completou 84 anos na sexta-feira, é acusado de ter drogado Samantha Geimer e violado-a na casa do ator Jack Nicholson, em Los Angeles, em 1977, enquanto o ator estava a viajar.

Roman Polanski admitiu ter tido relações sexuais ilícitas com a menor e, em troca, o juiz concordou em não reter outras acusações mais graves, incluindo a de violação e uso de drogas. O acordo legal foi obtido com o consentimento da família e dos seus advogados.

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