Taís Araújo ajuda a desmontar quadrilha

Polícia brasileira prendeu cinco homens que lideravam rede de 40 mil "haters" na internet. Tudo começou em outubro, quando a atriz resolveu apresentar queixa à polícia por causa de mensagens racistas nas suas páginas das redes sociais

"Entrou na Globo pelas quotas", "pensava que o Facebook era para humanos e não para macacos", "esse cabelo de esfregão", "já voltou da senzala?", "cabelo de parafuso", "pode ser mais clara?". Estas e outras mensagens, escritas com poucos minutos de intervalo e com centenas de "gostos" cada uma, apareceram como comentários a uma publicação da atriz Taís Araújo no Facebook, em outubro. A intérprete da série de sucesso da TV Globo Mister Brau, ao lado do marido, Lázaro Ramos, indignou-se com o sucedido e queixou-se à polícia. "Não me vou intimidar!"

Nesta semana, a polícia civil do Rio de Janeiro prendeu cinco homens considerados responsáveis por disseminar aquelas e outras ofensas nas redes sociais. Os cinco, provenientes de regiões diferentes do Brasil, eram administradores de um grupo chamado QLC (sigla de Que Loucura, Cara!), com mais de 40 mil membros. O mesmo grupo é suspeito de ataques online contra outras negras, como Maria Júlia Coutinho, jornalista que apresenta o espaço meteorológico no Jornal Nacional, o principal espaço noticioso da TV Globo, e as atrizes Cris Vianna e Sheron Menezes. Mas as apresentadoras Xuxa e Angélica também foram perseguidas.

O motivo era crueldade pura e simples além de busca de notoriedade, acusam os investigadores. "O objetivo deste grupo era ganhar notoriedade, estes eram os administradores mas não descarto novas detenções, são pessoas com afinidades de pensamento, de pensamento torpe", afirmou Alessandro Thiers, da esquadra de repressão a crimes de informática do Rio de Janeiro.

Um dos cinco detidos já estava na prisão desde dezembro, acusado de pedofilia, e outro foi apanhado em flagrante na hora da detenção com fotos, na sua casa, de adultos a praticar relações sexuais com crianças de 1 a 5 anos. Respondem agora por crime de organização criminosa, pedofilia e racismo, sendo dois negros.

Em entrevista ao site da Globo G1, Pedro Silva, um dos detidos, disse que, embora seja administrador do grupo, no dia dos ataques a Taís não estava online e só soube do sucedido no dia seguinte. "É difícil gerir 40 mil pessoas", disse ele, sublinhando que homofobia e racismo eram proibidos no QLC. Para provar a sua inocência, Silva mostrou um vídeo publicado depois do incidente noq ual pede desculpas à atriz através de um cartaz com letra quase impercetível e a cabeça tapada para não ser descoberto pelos outros membros e sofrer represálias.

Taís Araújo disse que "é importante saber que a justiça deu continuidade à denúncia". "Espero que crimes contra os negros não fiquem mais impunes", concluiu a atriz de 38 anos, que também é apresentadora de TV, modelo e cantora. Começou por protagonizar Xica da Silva, na TV Manchete, antes de ingressar na Globo e participar em mais de 20 telenovelas e dezenas de filmes e peças de teatro.

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