Resultados da autópsia a George Michael foram inconclusivos

Será necessário realizar novos testes, que só serão conhecidos daqui a "várias semanas"

A autópsia ao corpo de George Michael foi inconclusiva e será necessário aguardar "várias semanas" pelos resultados de novos testes que serão agora realizados. A informação foi divulgada esta sexta-feira pela polícia de Thames Valley, que foi chamada a intervir no dia da morte do cantor, encontrado sem vida em casa em Goring, Oxfordshire, no Reino Unido, no dia de Natal.

"Uma autópsia foi realizada ontem (29/12) como parte da investigação à morte de George Michael. A causa da morte foi inconclusiva e serão realizados mais exames. Os resultados só deverão ser conhecidos daqui a várias semanas", refere o comunicado das autoridades, que conclui que a morte do cantor está a ser tratada como "inexplicada mas não suspeita".

George Michael morreu no dia 25 de dezembro, aos 53 anos. Foi encontrado morto pelo namorado, o libanês Fadi Fawad.

Nascido Georgios Kyriacos Panayiotou, em 1963, filho de um imigrante cipriota e de mãe inglesa de família judia, George Michael fundou os Wham! com Andrew Ridgeley, que conheceu na escola secundária.

Todos os singles lançados pelos Wham! ao longo de quatro anos chegaram ao Top 10 britânico. Quando decidiram acabar, em 1986, lançaram um best of e encheram o estádio de Wembley.

Com 23 anos, George Michael vendia mais discos do que Michael Jackson ou Prince. Faith, lançado em 1987, foi o seu maior sucesso de sempre. A carreira a solo revelou um cantor e compositor mais maduro e sempre ousado - muitas das suas canções transpiravam sexo mesmo antes de em 1998, graças a um triste episódio numa casa de banho em Beverly Hills, o mundo descobrir que o cantor de Freedom 90 era homossexual. Listen Without Prejudice (1990) é considerado por muitos críticos como o seu melhor álbum.

Ao longo da sua carreira, George Michael vendeu mais de 100 milhões de álbuns em todo o mundo.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.