RAP sobre Salgado: "Se tivesse uma maçã podre, aquela testa não me escapava"

"Não resolveram o assunto e acho que nem vão resolver. Estou à espera de, sei lá, em 2022, me dizerem 'toma lá 20 euros'", disse o humorista sobre as poupanças investidas na compra de papel comercial da Rioforte

Ricardo Araújo Pereira sentou-se no sofá do 5 para a Meia-Noite como primeiro convidado do regresso do late show, agora em formato semanal, à antena da RTP1. Filomena Cautela, a única apresentadora de serviço, conversou com o humorista sobre vários aspetos da sua vida e, nomeadamente, sobre o facto de ter sido lesionado do Banco Espírito Santo (BES). "Fiquei sem dinheiro. Não é bem lesado do BES, na medida em que eu sou um investidor conservador", começou por explicar o Ricardo Araújo Pereira.

"De repente comecei a ver notícias a falar da Rioforte e eu sabia lá o que era isso. E depois liguei para lá [para o BES] a dizer que isto tinha a ver com o BES, que se calhar posso tirar [o dinheiro do banco]. 'Já não está cá' [disseram-lhe]", recordou sobre o facto de o seu dinheiro ter sido investido na aquisição de papel comercial da empresa do Grupo Espírito Santos (GES) declarada insolvente pelo tribunal. "Não resolveram o assunto e acho que nem vão resolver. Estou à espera de, sei lá, em 2022, me dizerem 'toma lá 20 euros'".

E se visse Ricardo Salgado, garante que teria "duas ou três coisas para lhe dizer". "Não gosto de gritaria. Mas se tivesse uma maçã podre à mão, aquela testa não me escapava", atirou.

Atento à atualidade, Ricardo Araújo Pereira explicou que sempre assumiu publicamente os seus gostos e as suas opiniões por sempre se ter recusado a que a sua "vida se transformasse num concurso de popularidade". "Não quero fingir. As pessoas gostam se quiserem, se não quiserem não gostam. Eu nunca escondi que sou do Benfica, que sou de Esquerda, que sou ateu, que gosto de bacalhau com batatas", exemplificou.

Ainda assim, garante que as críticas que lhe são feitas surgem "mais através das redes sociais". E exemplificou: "Sempre que vou ao Porto, a primeira coisa que me dizem é que eu só tenho um defeito e eu já sei do que é que estamos a falar: de eu ser do Benfica. Por acaso até estamos a falar da minha única qualidade", provocou RAP, arrancando gargalhadas da plateia presente em estúdio. "Mais do que 'nem te posso ver', este é um pretexto para falar com as pessoas", concluiu.

O programa de estreia foi visto por 156 mil pessoas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.