Quem é a vendedora de esfregonas que inspira Jennifer Lawrence?

Joy Mangano criou império a vender produtos nas televendas. A sua vida é agora contada no cinema

Esta é a verdadeira história de uma Cinderela, que começou com nada mais do que uma esfregona. Em 1990, Joy Mangano era mãe solteira de três filhos, com uma casa e contas para pagar. A sua vida mudou radicalmente quando deu por si a inventar um inovador instrumento de limpeza , a famosa miracle mop. De repente, era estrela de um canal de televendas e dona de uma fortuna invejável. Vinte e cinco anos depois, a sua história serve de inspiração a um novo filme, Joy, que se estreou nas salas de cinema dos EUA no dia 25 de dezembro.

Dar vida a Mangano foi a tarefa assumida por Jennifer Lawrence. "Ela é admiravelmente brilhante. Acredito realmente que ela já viveu outra vida. Está muito à frente da sua idade. Com o que ela traz a este papel, as pessoas vão sair do cinema a querer escalar montanhas", garantiu a verdadeira Joy à revista People, referindo-se ao desempenho da atriz de 25 anos no grande ecrã.

Hoje, a empresária de 59 anos é dona de um império avaliado em cerca de 2,7 mil milhões de euros. Mas na década de 1990, arranjar forma de subsidiar e lançar a sua "milagrosa esfregona" foi uma árdua missão. Primeiro, juntou todas as suas poupanças e, com ajuda de familiares e amigos, mandou construir um protótipo e cem exemplares. Depois, começou a vender o produto em feiras e batendo porta-a-porta em Long Island, Nova Iorque.

A grande oportunidade por que tanto esperava surgiu por iniciativa do canal de televendas QVC, que lhe propôs um contrato de venda de mil unidades. Primeiro, as esfregonas venderam de forma modesta, mas assim que a estação permitiu que Joy protagonizasse os anúncios, tudo mudou: mais de 18 mil produtos foram vendidos em menos de meia hora.

Este sucesso, defende a própria, deve-se ao facto de ela representar as massas e fazer passar uma imagem de simples dona de casa. "Sou como toda a gente. Sou mãe, trabalho, tenho uma casa para limpar, coisas para organizar. Todos temos necessidades semelhantes e eu procuro satisfazê-las", explicou.

Para além da miracle mop, Joy inventou outros tipos de maravilhas para a casa, como cabides que ocupam espaço mínimo no roupeiro (os chamados Huggable Hangers, com mais de 700 milhões de exemplares vendidos), vaporizadores com tamanho ideal para serem transportados em viagem, fragrâncias neutralizadoras para o ambiente, sapatos com plataforma de borracha ou óculos para leitura.

Mas a empreendedora também deve grande parte da sua fortuna a parcerias que foi fazendo, ao longo dos anos, com várias celebridades, para trazer os seus produtos à estação de televendas HSN (onde, hoje, está ancorada). Tomemos como exemplo a número um mundial do ténis, Serena Williams, que aí promoveu a sua linha de joalharia; ou o chefe de cozinha Todd English, criador das panelas "verdes", amigas do ambiente.

Em Joy, Mangano serviu não só como inspiração, mas também como produtora-executiva, oferecendo uma grande paleta de histórias e memórias de vida ao realizador David O"Russell.

O resultado é um filme que conjuga factos e ficção. Um dos elementos fictícios é o facto de Tony Miranne, seu ex-marido e pai dos seus três filhos, ser retratado como cantor venezuelano (interpretado por Édgar Ramirez), em vez um antigo colega seu da Universidade Pace de Nova Iorque. A parte verídica é que Miranne continua a ser um dos melhores amigos de Joy, bem como vice-presidente da sua empresa, Ingenious Designs.

"Ela vê o mundo através de produtos. É o talento dela", reconhece Tony, em declarações à Vogue norte-americana. Mas Mangano não se limita a fazer"incríveis criações". Parte do seu sucesso deve-se ao facto de ela as vender pessoalmente, e em direto no HSN, algo que quase nenhum empresário hoje em dia faz. E nunca falha: todos os dias, por volta da meia noite, Joy entra em antena e chega a atingir vendas de 914 mil euros até à uma da manhã. Um fenómeno que ainda hoje lhe dá "arrepios", confessa.

Em janeiro, Joy irá assinalar o 25.º aniversário da "esfregona milagrosa", uma ocasião que merece algo especial. "Tenho estado a trabalhar numa nova miracle mop há vários anos. Deixei-a um pouco para trás porque o filme é um grande elefante na sala, um grande e incrível elefante", metaforiza a empreendedora. Para além disso, o seu futuro passará pela abertura de uma fundação de apoio a jovens inventores.

Por enquanto, é a longa-metragem que a torna motivo de notícia. "Sinto-me honrada por ter inspirado um filme tão incrível, que terá impacto na vida de milhões de pessoas à volta do mundo". Para ele contribuem, para além da "brilhante" Jennifer Lawrence, outras estrelas de Hollywood como Diane Ladd (dá vida a Mimi, a avó de Joy), Robert De Niro (Rudy, o pai), ou Bradley Cooper (Neil Walker, executivo do canal QVC).

Nas salas de cinema portuguesas, Joy tem estreia agendada para sete de janeiro.

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