Mordóvia oferece casa e cargo de ministro a Depardieu

O governo da república russa da Mordóvia ofereceu hoje uma casa e o cargo de ministro da cultura ao ator francês Gérard Depardieu, que recebeu há poucos dias um passaporte russo autorizado pelo presidente Vladimir Putin.

Ao descer do avião no aeroporto da cidade de Saransk, capital da Mordóvia (640 quilómetros a este de Moscovo), Depardieu foi recibo pela fanfarra e pelo governador da região, juntamente com mulheres vestidas com trajes tradicionais que cantaram na pista.

"Estou muito contente. Gosto muito de estar aqui", disse o ator francês, citado pela agência russa Interfax.

Em Saransk, o governador da região da Mordóvia, Vladimir Volkov, ofereceu a Depardieu que escolhesse entre um apartamento ou a construção de uma casa, que ficaria no meio de uma floresta e perto de um rio, segundo a agência Itar-Tass.

Segundo uma fonte local, citada pela agência Ria Novosti, o governador chegou mesmo a propor ao ator francês que se torne o próximo ministro da Cultura da Mordóvia.

A festa acontece depois do presidente Vladimir Putin ter concedido a cidadania russa a Gérard Depardieu, que anunciou desejar abandonar a França e entregar o seu passaporte francês para escapar aos elevados impostos no seu país.

O gesto do presidente russo foi depois felicitado por Depardieu através de uma carte, onde o ator exprimia o seu amor pela Rússia e pelo seu chefe de Estado.

Na carta, o ator francês aproveitou para elogiar a democracia na Rússia, o que provocou um coro de críticas tanto na Rússia como no estrangeiro.

Hoje, o Kremlin confirmou que Depardieu recebeu no sábado o seu passaporte russo depois de um breve encontro com o presidente Putin, na residência presidencial de Sotchi, nas margens do Mar Negro.

Num determinado momento da sua visita, rodeado por dezenas de jornalistas, o ator chegou inclusivamente a pedir aos profissionais franceses que abandonassem a sala.

A Mordóvia é conhecida pelas duas dezenas de campos de prisioneiros que tem atualmente e cuja construção remonta à época estalinista, quando faziam parte do Gulag.

Uma das jovens membro do grupo Pussy Riot, condenadas a dois anos de prisão por ações contra o presidente Putin, cumpre a sua pena na Mordóvia.

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