Michael Sheen quer representar menos para investir no ativismo contra a extrema-direita

O ator pretende deixar por uns tempos a representação para ajudar a travar a ascensão do "populismo de extrema-direita"

Com 25 anos de carreira como ator, Michael Sheen planeia começar a representar menos e dedicar mais do seu tempo para fazer frente à ascensão do "populismo de extrema-direita".

"Da mesma forma que os nazis tinham de ser parados na Alemanha nos anos 30, esta coisa que tem vindo a crescer também tem de ser parada. Este não vai ser o cenário daqui a 10 anos. Os dados estão a ser lançados novamente", alertou o ator de 47 anos, numa entrevista concedida ao jornal inglês The Times, durante a promoção do novo filme Passengers, no qual contracena com Jennifer Lawrence e Chris Pratt.

"Uma vez envolvido, estou completamente envolvido. E isto é grande. É uma grande oportunidade para as pessoas se identificarem comigo", frisou ainda.

Sheen pondera deixar Sarah Silverman, a companheira dos últimos dois anos, e a restante família em Los Angeles, nos EUA, para se mudar para Port Talbot, a cidade onde nasceu, no País de Gales, onde pretende combater a política "demagoga e fascista" que tem vindo a ganhar terreno nos últimos anos. Essa foi uma da regiões que votou massivamente a favor do 'brexit', em junho passado, um resultado que o ator considera "triste e frustrante".

A decisão de Sheen foi também motivada pela recente vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas. Tornou-se-lhe então "urgente" o regresso a casa. "Como é que eu posso ser mais eficaz? O que é que eu posso fazer?", diz ter pensado na altura.

O ativismo político e social passou a ocupar grande parte da vida de Michael Sheen a partir de 2011. Foi nesse ano que começou a colaborar com a Unicef e passou meses a viajar pelo Reino Unido e por Espanha à procura de projetos locais que pudesse replicar para dinamizar a sua cidade de origem. "O maior serviço que podemos prestar é servir um todo, servir a história da qual fazemos parte", defendeu.

Artigo alterado às 15.45. Corrigido o título, depois da clarificação do ator em relação à entrevista dada ao jornal britânico

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