Marisa Matias recorda ameaças de morte: "Estava cheia de medo mas deu-me coragem"

A eurodeputada celebrou o seu 40.º aniversário no "Alta Definição" da SIC.

Marisa Matias assinalou o seu 40.º aniversário, este sábado, com uma entrevista no Alta Definição da SIC. A terceira candidata mais votada nas presidenciais de janeiro recordou as ameaças de morte por parte de "redes muito poderosas" que recebeu, ao vivo e por SMS, pelo seu trabalho no controlo e denúncia da venda de medicamentos falsificados.

"Levo sempre a sério as ameaças de morte, mas não deixei de fazer nada. [Numa reunião] Foi-me dito que, se por acaso não acordasse em algum dos dias que se seguisse, que não achasse muito estranho. Fui-me embora, não olhei para trás até chegar ao carro, mas estava cheia de medo", confessou a ex-candidata presidencial do Bloco de Esquerda a Daniel Oliveira, frisando: "Deu-me ainda mais coragem".

Marisa Matias recordou ainda os tempos de estudantes (nos quais "ajudava os colegas a fazer os estes"), as origens humildes na aldeia de Alcouce e o trabalho duro no campo. "Não sabíamos o que era ter mais do que uma prenda no Natal ou comprar roupa para situações que não fossem uma festa, um aniversário". Ainda assim, a ex-candidata presidencial adiantou, contudo: "Na aldeia aprende-se a viver em partilha, onde não há gente egoísta e competitividade".

A eurodeputada confessou que destruía as suas bonecas e roubava fruta das árvores dos vizinhos durante a infância, que gosta de ir ao supermercado, de passar a ferro e de dançar e que, quando era jovem, nunca lhe passou pela cabeça concorrer a um cargo público. A candidata do BE às últimas presidenciais recordou ainda os seus trabalhos como rececionista, secretária, a servir às mesas num bar ou a lavar casas de banho e escadas. Sobre os comentários sexistas de que já foi alvo, frisou: "Só há o prazer de ofender".

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