Karl Lagerfeld assume ódio por Merkel e ameaça renunciar a cidadania alemã

O diretor artístico da Casa Chanel assumiu que "odeia" a chanceler alemã Angela Merkel a quem culpa pelo aumento da popularidade da extrema-direita no país

Nascido em Hamburgo, na Alemanha, o estilista Karl Lagerfeld, de 84 anos, disse esta sexta-feira em entrevista à revista francesa Le Point que pode renunciar à cidadania alemã, afirmando que "odeia" a chanceler Angela Merkel por abrir o caminho para o ressurgimento do neonazismo com a política de imigrantes que o seu partido segue.

Na entrevista o diretor criativo da Casa Chanel, que vive há vários anos em Paris, diz que Angela Merkel é a responsável pelo aumento da popularidade da extrema-direita na Alemanha, que conseguiu nas últimas eleições 92 lugares parlamentares na legislatura.

"A Afd [Alternativa para a Alemanha] não existia, mas passou a existir com uma única frase dela, que afastou dois milhões de eleitores e mandou uma centena desses neonazis para o parlamento", disse o estilista. "Se isto continuar, renunciarei à cidadania alemã", afirmou.

Será que ela realmente precisava dizer que era necessário receber um milhão de migrantes numa época em que a França, que se considera a terra dos direitos humanos, prometeu receber 30 mil?

A residir há vários anos em Paris, Lagerfeld não avança alternativas para o poder alemão, nem imagina mudar a sua nacionalidade para francês. Apesar de elogiar o atual presidente do país. "Gosto pessoalmente de Macron, e da sua mulher, Brigitte, mas isso não significa que queira tornar-me francês."

"Não gosto de nações, sou cosmopolita", defende Lagerfeld.

"Devemos lembrar o passado que temos na Alemanha. Eu odeio a senhora Merkel por ter esquecido", disse o designer remetendo para a segunda Guerra Mundial: "Merkel não aceita o mal que a Alemanha sofreu depois de 1933".

A antipatia do estilista pela chanceler alemã não é de agora. Em novembro passado, Lagerfeld surpreendeu ao dizer que Merkel trocou milhões de vítimas do Holocausto pelos "piores inimigos", referindo-se aos imigrantes muçulmanos de origem árabe e do norte de África que chegaram entretanto à Alemanha.

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