Dolce e Gabbana acusam Elton John de intolerância às "opiniões diferentes"

Polémica estalou depois de Elton John ter apelado ao boicote das roupas da marca italiana devido às declarações dos estilistas: chamaram "sintéticas" às crianças concebidas através de fertilização in vitro.

Os estilistas italianos Stefano Gabbana e Domenico Dolce defenderam hoje o seu direito a terem uma opinião diferente, após o músico Elton John ter apelado a que fossem boicotados devido a declarações a favor da família tradicional.

Gabbana e Dolce acusaram de intolerantes os que os criticaram pelas suas "opiniões diferentes" expressas numa entrevista à revista italiana Panorama, onde criticam a fertilização 'in vitro' ou o recurso a barrigas de aluguer.

"A vossa mentalidade arcaica está fora de moda, assim como a vossa roupa", afirmou no domingo Elton John na rede social Instagram, apelando ao boicote à dupla de estilistas italianos.

Elton John é casado com o cineasta David Furnish e têm dois filhos, de três e um ano, com recurso a uma 'barriga de aluguer'.

Gabbana, que teve um relacionamento com Dolce, considerou hoje no Instagram que o apelo de Elton John revela "intolerância às opiniões diferentes".

"É como se eu o boicotasse a ele (Elton John) porque teve dois filhos (através da fecundação) 'in vitro'!! Não sou um idiota!!! Tolerância", argumentou.

Dolce justificou as suas opiniões com o facto de ter "crescido com um modelo de família tradicional, formado por um mãe, um pai e um filho". "Sei que existem outras realidades e que é justo que existam, mas a minha visão da vida é a que me foi transmitida", declarou a jornalistas.

As críticas aos estilistas italianos alargaram-se nas redes sociais, com o cantor Ricky Martin a escrever no Twitter: "Dolce & Gabbana, as vossas vozes são demasiado poderosas para espalharem tanto ódio. Acordem, estamos em 2015".

A cantora e atriz Courtney Love e a tenista Martina Navratilova propõem-se queimar as peças que possuem da dupla italiana.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Dispensar o real

A minha mãe levou muito a sério aquele slogan dos anos 1970 que há quem atribua a Alexandre O'Neill - "Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si" - e todos os domingos nos metia no carro para conhecermos o país, visitando igrejas, monumentos, jardins e museus e brindando-nos no final com um lanche em que provávamos a doçaria típica da região (cavacas nas Caldas, pastéis em Tentúgal). Conheci Santarém muito antes de ser a "Capital do Gótico" e a Capela dos Ossos foi o meu primeiro filme de terror.