Fadista acusado de ser racista e homofóbico por comentário sobre os Óscares

Os seguidores na rede social Facebook não gostaram de um comentário do fadista a propósito dos Óscares

"A distribuição dos Trumps", começou por escrever o fadista João Braga, na segunda-feira, no seu perfil da rede social Facebook. "Agora basta ser-se preto ou gay para ganhar Óscares", acrescentou em seguida. O comentário relativo à entrega, na noite anterior, das estatuetas douradas em Hollywood não agradou os seguidores do fadista na rede social, que o acusam de ser "racista" e "homofóbico".

O comentário de Braga, de 71 anos, surgiu na sequência da entrega do prémio de Melhor Filme a Moonlight, após a já conhecida troca de envelopes durante a cerimónia no Teatro Dolby. A longa-metragem vencedora, realizada por Barry Jenkins, conta a história de vida de um jovem negro e homossexual de um bairro problemático de Miami, nos Estados Unidos.

O fadista reagiu em seguida às críticas. "Chiça, que os herdeiros de Estaline são mesmo avessos à liberdade de expressão!", disse mais tarde, na mesma rede social.

Mais tarde desenvolveu o que queria dizer com o comentário inicial. "Mas agora chamar gay a um gay passou a ser ofensivo? E preto a um preto também? Por mim, se alguém me chama 'branco' é para o lado que eu durmo melhor. Agora, transformar uma cerimónia de ouvir aos que vivem na e da 7ª Arte num comício político de nível abaixo de cão é que eu considero insultuoso e desrespeitoso para o telespectador. Daí o título que escolhi. Curiosamente, no ano passado, quando Spike Lee desenvolveu uma campanha por causa da ausência de pretos nas listas dos nomeados não me lembro de ter lido no Facebook crítica alguma. Talvez por se achar que basta ser-se preto para ganhar a estatueta, o talento fica à porta", respondeu João Braga, através da mesma rede social.

Para o fadista, "a cerimónia foi uma farsa política, com graçolas, na sua esmagadora maioria, de humor duvidoso, tornando uma manifestação artística num comício político populista e sectário. A quem critica não fica nada bem imitar o criticado". "E os esquimós, os venezuelanos, os iraquianos, os indianos, os portugueses, os chineses, etc.? É que nos EUA há atores de todas as etnias. E o Martin Scorsese que realizou uma obra-prima, Silence, que foi completamente escondida na cerimónia? Terá sido por causa da história do filme se referir, pela positiva, a dois jesuítas, ainda para mais, portugueses?!", afirma.

João Braga acabou por explicar que "o objetivo do tópico é criticar a farsa monumental que foi esta cerimónia das estatuetas de Hollywood". "Nada tem a ver com racismo ou homofobia. Os pobres de espírito que me insultam por este desabafo não passam disso mesmo. Nem sequer sabem quem é Spike Lee e a campanha que ele fez no ano passado a propósito das nomeações e da ausência de pretos nas mesmas. Mas nada disto me espanta".

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