A primeira espanhola coroada Miss Mundo já foi gozada na escola

Um dia depois de a farmacêutica Mireia Royo ter feito história no concurso britânico, uma portuguesa concorreu a Miss Universo

A Miss Universo 2015 foi coroada ontem à noite em Las Vegas, Estados Unidos (meia-noite em Portugal), 24 horas depois de o concurso Miss Mundo - sediado no Reino Unido - ter distinguido pela primeira vez na sua história uma espanhola. Trata-se de Mireia Lalaguna Royo, modelo de 23 anos, oriunda de Barcelona e licenciada em Farmacologia.

Com 1,78 metros de altura, esta estudante de mestrado em Nutrição tem, segundo o site espanhol Vanitatis, "as medidas quase perfeitas": 86 centímetros de busto, 62 de cintura e 93 de anca. Veste o tamanho 36. Mas a sua beleza, agora reconhecida internacionalmente, nem sempre foi apreciada. "Em pequena era a rapariga mais alta da turma, a que tinha os lábios mais salientes e de quem se riam", revelou a própria.

O cobiçado título foi-lhe entregue na noite de sábado, na ilha chinesa de Sanya, pelas mãos da vencedora do ano anterior, a sul-africana Rolene Strauss. Numa entrevista, Mireia elogiou o facto de o júri lhe ter "encontrado não apenas a beleza exterior mas também a interior".

No momento em que chamaram o seu nome, confessou a vencedora da tiara de brilhantes azuis, o primeiro pensamento foi para os seus avós, que não a puderam acompanhar na longa viagem. Ao seu lado estiveram os pais, que admitiram ter ficado "emocionadíssimos" com o desfecho do certame.

Esta foi a primeira vez que uma espanhola saiu premiada no concurso britânico (o mais antigo do mundo, criado em 19 51). Só Amparo Muñoz alcançou proeza semelhante, em 1974, quando se sagrou Miss Universo.

Mireia ocupará o trono nos próximos 12 meses, ao longo dos quais vai viajar pelos quatro cantos do mundo para exibir o título e colaborar com várias iniciativas de solidariedade. "Agora, só espero ter um ano brilhante", disse.

Nesta última fase da competição Miss Mundo 2015, que avaliou um total de 114 mulheres, foram também premiadas a russa Sofia Nikitchuk (segundo lugar) e Maria Harfanti, natural da Indonésia (terceira posição). É ainda de destacar que neste ano o evento ficou marcado por alguma controvérsia em torno da China, país anfitrião, que recusou a participação de Anastasia Lin, Miss Canadá de origem chinesa. A modelo, conhecida por criticar abertamente a repressão que esse país exerce sobre matérias religiosas, viu o seu visto ser recusado quando se preparava para viajar entre Hong Kong e a ilha de Sanya.

Quanto ao concurso Miss Universo (promovido pelos Estados Unidos), que decorreu neste domingo à noite na cidade do pecado, destaca-se a participação da portuguesa Emília Rosa Araújo, de 24 anos, natural de Angra do Heroísmo, Açores, e formada em Medicina.

Ao centro, Emília Rosa Araújo, candidata lusa a Miss Universo

No site oficial do concurso, Emília, a residir em Lisboa, é descrita como amante de doces, "especialmente marshmallows", de cinema, teatro e galerias de arte.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?