Genro do rei distancia Casa Real das suas actividades

Iñaki Urdangarín, genro do rei espanhol Juan Carlos, distanciou hoje a Casa Real das suas actividades privadas nas primeiras declarações, em comunicado, desde o início das investigações sobre alegados crimes fiscais cometidos pelo Instituto Nóos, entidade que dirigia.

"Perante a acumulação de informações e comentários nos órgãos de comunicação social relativos as minhas acções profissionais, desejo referir que lamento profundamente que as mesmas estejam a causar graves danos à imagem da minha família e da Casa de sua majestade o rei, que nada têm que ver com as minhas actividades privadas", refere o comunicado de Urdangarín, hoje difundido.

O duque de Palma informa ainda ter designado como assessor jurídico e porta-voz Mário Pascual Vives, letrado do Colégio de Advogados de Barcelona.

O comunicado refere-se às investigações em curso em vários pontos de Espanha, que já envolveram rusgas, detenções e a constituição de vários arguidos, no âmbito de um dos componentes do processo conhecido como "Palma Arena".

Especificamente, e no caso de Urdangarín, este componente do "Palma Arena" investiga possíveis desvios de fundos públicos por parte do Instituto Nóos.

Iñaki Urdangarín - duque de Palma e marido da Infanta Cristina, a filha mais nova dos reis de Espanha - está a ser investigado por alegados delitos de falsificação de documentos, prevaricação, fraude e desvio de fundos públicos.

Um relatório citado pelo jornal El Mundo preparado pela Agência Tributária ao juiz que está a investigar o caso, considera que os movimentos económicos da Nóos correspondiam mais a fins lucrativos do que a ações próprias de uma entidade sem fins lucrativos, como definem os estatutos da organização.

O relatório de 140 páginas detalha as numerosas operações da entidade, informação sobre entradas e saídas de dinheiro, operações fiscais e fundos que recebeu, tanto de entidades públicas como privadas.

Comprova ainda a relação mercantil com várias empresas, algumas das quais tinham participação directa do Duque de Palma e explica a complexa rede de sociedades criada tanto por Urdangarín como pelo seu sócio no Nóos, Diego Torres.

Segundo a investigação a rede tinha sido criada para se apoderar de fundos públicos e privados recebidos pela Nóos, que fixava "preços totalmente desproporcionados" para os serviços que prestavam à administração, em alguns casos simulando trabalhos fictícios.

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