Elementos da natureza inspiram designers para o próximo verão

O Pátio da Galé despediu-se de mais uma edição da Moda Lisboa onde as coleções SS 2015 foram apresentadas. As propostas de Dino Alves viveram dos detalhes ondulantes aplicados para criar movimento, assim como as assimetrias quebraram a rigidez dos cortes longos.

Os acessórios do artista plástico Valentim Quaresma ganham vida pela própria dimensão e pela exploração de materiais menos nobres, como o cobre. O trabalho que este artista consegue realizar através da construção de puzzle ajuda a criar um universo de beleza única pela sua presença nos corpos femininos e masculinos.

O fascínio pelo escaravelho levou a designer Catarina Sequeira da Saymyname a desenhar uma coleção que oscila entre o divertido e o incrédulo. "Fascinam-me estes pequenos seres, tão belos nas suas pequenas formas e também tão rejeitados pela maioria das pessoas", confessa Catarina Sequeira, que saber tirar o melhor partido do potencial cromático em peças de corte mais ou menos convencional, o que no conceito da sua marca pode causar estranheza.

Ideias bem produzidas e feitas para mulheres urbanas e modernas.

As 'Ondas' inspiraram Lidija Kolovrat a fazer uma coleção tensa e simultaneamente bela pelo contraste do degradée dos estampados e as formas quer dos vestidos quer das calças justas para homem.

Miguel Vieira desfilou a linha de mulher que volta a ter no branco o seu fio condutor, com um toque de anos 1960.

A terminar, Nuno Gama apresentou a coleção 'Arrábida' rica em pormenores ao nível da estampagem, da aplicação, dos padrões e das cores fortes.

A moda em português vai continuar com o Portugal Fashion que começa dia 22 em Lisboa e, entre os dias 23 e 25, vai para o Porto.

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Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

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Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...