Donna Karan defende Harvey Weinstein: "O que estão as mulheres a pedir? Problemas"

Em comunicado, já na terça-feira, Donna Karan disse que as declarações foram tiradas de contexto e que não representam "o que sente ou acredita" Donna Karan defende Weinstein: "O que estão as mulheres a pedir? Problemas"

A estilista norte-americana Donna Karan defendeu o produtor Harvey Weinstein, forçado a abandonar a empresa que fundou devido a um escândalo de assédio sexual. Em declarações ao Daily Mail, Karan considerou Weinstein uma pessoa "maravilhosa" e questionou o que procuram as mulheres quando se vestem de forma sensual. Em comunicado, já na terça-feira, disse que as declarações foram tiradas de contexto e que não representam "o que sente ou acredita".

A carreira de Weinstein foi abalada por um artigo do jornal The New York Times que contava como o produtor fez uma série de acordos extrajudiciais para pôr termo a denúncias de assédio sexual apresentadas por antigas funcionárias e colaboradoras, incluindo atrizes conhecidas como Ashley Judd e Rose McGowan.

Abordada na passadeira de um evento no domingo à noite, em Los Angeles, a responsável pela DKNY não condenou o amigo e apontou o dedo às mulheres. "Acho que temos de olhar para nós próprias. Obviamente o tratamento das mulheres no mundo é algo que tem sempre de ser apontado. Certamente num país como o Haiti, onde trabalho, em África, no mundo em desenvolvimento, são tempos difíceis para as mulheres. Ver isso no nosso próprio país é muito difícil, mas também penso sobre como é que nos apresentamos? Como é nos apresentamos como mulheres? O que é que estamos a pedir? O que é que estamos a pedir ao apresentar toda a sensualidade e toda a sexualidade?"

A estilista disse ainda que acha que agora Weinstein é visto "como um símbolo", mas que o problema não é necessariamente ele. "Acho que temos de olhar para o nosso mundo e para o que queremos dizer e como o queremos dizer também", insistiu. Em seguida clarificou: "Olhamos para como as mulheres se vestem e o que estão a pedir simplesmente por se apresentarem como se apresentam. O que estão a pedir? Problemas."

Num comunicado enviado ao mesmo jornal já na terça-feira, Donna Karan disse que as declarações foram tiradas de contexto e que não representam "o que sente ou acredita", deixando claro que considera o assédio sexual "não é aceitável". Declarações que surgiram já depois de a atriz Rose McGowan a ter considerado "deplorável" e de Mia Farrow ter escrito no Twitter que não voltaria a usar roupas da estilista.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.