Depois de 44 anos na TV Globo, Fórmula 1 já não é o que era

O Grande Prémio de Interlagos em Fórmula 1 do passado dia 15 perdeu na batalha das audiências para programas de auditório da concorrente TV Record. Noutros tempos intocável, o desporto automóvel perdeu estatuto

"Ayrton Senna do Brasil!", é, ainda hoje, o mais icónico bordão de Galvão Bueno, o mais icónico dos narradores desportivos do Brasil. A cada vitória do mais icónico dos pilotos brasileiros, o jornalista soltava aquele grito acompanhado de um icónico jingle da icónica TV Globo. Mas até os ícones têm prazo de validade: pela primeira vez desde que há sistema de medição de audiências no país, a maioria dos telespectadores preferiu na tarde do último dia 15 assistir a dois programas de auditório da TV Record a ver o Grande Prémio de Interlagos, em São Paulo, transmitido pela Globo.

"A Globo já havia perdido para a concorrência durante a exibição de treinos e ao mostrar corridas em diferido ao fim da noite, mas esta é a primeira vez que ocorre uma derrota durante a prova", assinala Maurício Stycer, especialista em televisão do portal UOL, a propósito dos 10,5 pontos no medidor Ibope da maior emissora brasileira face aos 11,8 registados à mesma hora pela vice-líder Record, rede detida pela Igreja Universal do Reino de Deus.

O campeonato de 2016 ainda está assegurado, garantem os responsáveis da Globo, mesmo sem o patrocínio da maior empresa brasileira, a Petrobrás, abalada pelo escândalo de corrupção conhecido como Petrolão, mas pode ser o último exibido pela cadeia, depois de 44 anos de transmissão consecutiva e de milhões de brasileiros ao longo de milhares de manhãs (por causa da diferença horária, os grandes prémios no Brasil passam entre as 9 e as 11 horas desse domingo) se terem habituado àqueles ícones todos.

A perda de popularidade da categoria principal do automobilismo não é de hoje. Já um estudo de 2013 indicava que a Globo perdera 60 por cento da audiência dos grandes prémios num intervalo de 10 anos: em 2003 marcava 21 pontos no Ibope (a cada 100 televisores ligados no país, 58 estavam na Fórmula 1) e um decénio depois apenas nove. Por isso, apesar de publicamente destacar a importância do desporto automóvel na sua grelha, aos poucos, a Globo foi-lhe retirando espaço e protagonismo.

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