Comportamento de genro do rei não parece exemplar

A Casa Real espanhola considerou hoje que o comportamento do genro de Juan Carlos, Iñaki Urdangarín, não parece ser exemplar e anunciou que o duque de Palma deixará de participar em actividades oficiais.

Num encontro informativo no Palácio da Zarzuela, o chefe da instituição, Rafael Spottorno, afirmou que vão ser publicados, na página oficial, previsivelmente até ao final do ano, as contas da Casa Real, como fazem as restantes administrações públicas.

Spottorno, que pediu respeito pelo princípio de presunção de inocência de Urdangarín, sublinhou que todas as contas internas da Casa Real são controladas e auditadas.

O comunicado refere-se às investigações em curso em vários pontos de Espanha, que já envolveram rusgas, detenções e a constituição de vários arguidos, no âmbito de um dos componentes do processo conhecido como "Palma Arena".

Iñaki Urdangarín - duque de Palma e marido da infanta Cristina, a filha mais nova dos reis de Espanha - está a ser investigado por alegados delitos de falsificação de documentos, prevaricação, fraude e desvio de fundos públicos.

Em comunicado difundido no fim de semana, Urdangarín deixou claro que a Casa Real nada tem a ver com as suas actividades privadas, especialmente no âmbito das investigações sobre alegados crimes fiscais cometidos pelo Instituto Nóos, entidade que dirigia.

"Perante a acumulação de informações e comentários nos órgãos de comunicação social relativos às minhas acções profissionais, desejo referir que lamento profundamente que as mesmas estejam a causar graves danos à imagem da minha família e da Casa de sua Majestade, o rei, que nada têm que ver com as minhas atividades privadas", referiu o comunicado de Urdangarín, hoje difundido.

No caso de Urdangarín, são investigados possíveis desvios de fundos públicos por parte do Instituto Nóos.

Um relatório, citado pelo jornal El Mundo e preparado pela Agência Tributária para o juiz que está a investigar o caso, considerou que os movimentos económicos da Nóos correspondiam mais a fins lucrativos do que a acções próprias de uma entidade sem fins lucrativos, como definido nos estatutos da organização.

O relatório de 140 páginas detalhou as numerosas operações da entidade, informação sobre entradas e saídas de dinheiro, operações fiscais e fundos que recebeu de entidades públicas e privadas.

Comprovou ainda a relação comercial com várias empresas, algumas das quais tinham participação direta do duque de Palma, explicando a complexa rede de sociedades criada por Urdangarín e pelo seu sócio no Nóos, Diego Torres.

De acordo com a investigação, a rede tinha sido criada para se apoderar de fundos públicos e privados recebidos pela Nóos, que fixava "preços totalmente desproporcionados" para os serviços que prestava à administração, em alguns casos simulando trabalhos fictícios.

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