Beauty and NYC: a vertigem e a nudez contra a tirania das selfies

O artista japonês Mar Shirasuna fotografou mulheres no topo dos mais altos edifícios de Nova Iorque. Projeto pretende contrariar moda de autoretratos digitais nesses locais.

O comum turista, quando sobe ao topo do Empire State Building, em Nova Iorque, terá a tentação de tirar uma selfie. Foi com o intuito de contrariar a egomania dos autoretratos digitais que o fotógrafo japonês Mar Shirasuna criou o projeto Beauty and NYC (em português, "Beldades e Nova Iorque"), uma forma de criar imagens que refletissem não só a beleza urbana da paisagem nova-iorquina mas também as modelos que para elas posam.

Ao longo de três anos, Shirasuna subiu ao topo de 150 edifícios da cidade norte-americana. Inicialmente, o fotógrafo japonês capturava apenas as paisagens mas, há um ano, começou a receber tantos pedidos de pessoas que o queriam acompanhar nesta aventura que decidiu juntar manequins às imagens.
"Atualmente, atravessamos uma epidemia das selfies. Quando levei algumas destas pessoas aos telhados, o seu instinto seria começarem a tirar selfies", disse o fotógrafo ao diário britânico Daily Mail.

Contrariando a tentação de usarem os seus próprios smartphones para se capturarem nos mais altos edifícios da cidade, as manequins deixaram-se fotografar pelo artista japonês... que captura as imagens com um Iphone. Há duas semanas, o artista japonês, que vive há 20 anos em Nova Iorque, expôs as suas criações na galeria de arte Nepenthes. As fotografias geraram discordância, como o próprio relata ao site Beauty Fully Boundless. "O meu trabalho tem gerado controvérsia, no entanto isso é algo que me agrada. As pessoas que continuam a gostar das minhas fotografias gostam não só pela beleza que elas têm mas também porque sou eu a tirá-las".

Seguido por 80 mil fãs no Instagram (número esse que aumentou exponencialmente nos últimos dias, desde que publicações como o Daily Mail ou a revista masculina Maxim começaram a divulgar o seu trabalho), Mar Shirasuna reconhece que, se não fosse a internet, as suas fotografias não teriam tido tanto impacto. "As redes sociais permitiram que o meu trabalho chegasse a toda a gente. O poder dos social media é tremendo, nunca pensei ter tantos seguidores".

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