Web Summit: Surf Summit arranca hoje na Ericeira pelo 3.º ano consecutivo

A terceira edição da Surf Summit, evento que antecede a cimeira tecnológica Web Summit, decorre este fim de semana na Ericeira, permitindo aos participantes o convívio e a aprendizagem com atletas profissionais como o surfista Tiago Pires.

Este evento é o aperitivo para a onda digital que vai invadir Lisboa a partir da próxima segunda-feira, e conta com altos quadros de cerca de uma centena de empresas dos mais variados lugares do mundo que, antes de participarem na Web Summit, vão aproveitar as atividades ao ar livre na vila piscatória localizada a cerca de 50 quilómetros da capital portuguesa.

É que, além do surf, os participantes também podem experimentar o 'stand up paddle' (SUP), as bicicletas de todo o terreno (BTT), as caminhas e o yoga que estão contemplados entre as atividades oferecidas aos responsáveis de entidades tão variadas como o Citibank, o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia, a Microsoft, a SAP, a Universidade de Columbia ou o Youtube.

Para além do desporto, também há a componente do convívio entre os participantes entre almoços, jantares e festas organizadas pela Surf Summit, que prometem animar de dia e de noite a Ericeira, reconhecida em 2011 como Reserva Mundial de Surf pela organização norte-americana 'Save the Waves Coalition'.

E também há lugar para palestras com símbolos vivos do 'surf' e do 'bodyboard', como é o caso dos portugueses Tiago 'Saca' Pires, primeiro surfista português a correr o circuito mundial, e Joana Schenker, que no ano passado se tornou a primeira atleta portuguesa a conquistar o título de campeã mundial de 'bodyboard'.

Mas também da surfista e modelo californiana Anastasia Ashley, ou dos surfistas de ondas grandes Hugo Vau e Garrett McNamara, este último ex-recordista mundial que catapultou a Praia do Norte, na Nazaré, para a fama mundial.

Este ano, a problemática dos plásticos nos oceanos vai estar em destaque nas discussões que deverão contar com muitos participantes, a julgar pelos 200 executivos que aderiram em 2016 e pelos 250 quadros que disseram presente em 2017.

Paddy Cosgrave, co-fundador da Web Summit, também vai à Ericeira, juntando-se ao Presidente da Câmara de Mafra, Hélder de Sousa Silva, num encontro com jornalistas na manhã de domingo, na Praia da Foz do Lizandro.

A cimeira tecnológica, de inovação e de empreendedorismo Web Summit nasceu em 2010 na Irlanda e mudou-se em 2016 para Lisboa, devendo permanecer até 2028 no Altice Arena (antigo Meo Arena) e na Feira Internacional de Lisboa (FIL), em Lisboa.

Nesta terceira edição do evento em Portugal são esperados cerca de 70 mil participantes de mais de 170 países.

A edição deste ano realiza-se entre os dias 05 e 08 de novembro.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...